“Vale ressaltar que a cultura do café vem perdendo espaço para os grãos no Paraná e depende de um período prolongado de estabilidade financeira para interromper esse processo de substituição de áreas. Por outro lado, com custos médios estimados em cerca de R$ 1.100 por saca, o setor ainda possui fôlego para absorver retrações mais acentuadas nas cotações sem operar no prejuízo”, concluiu.
BATATA – Nesta safra o Paraná cultiva uma área de 26,8 mil hectares (ha) de batatas em duas etapas. A primeira safra, semeada entre agosto e novembro, corresponde a uma área de 16,7 mil hectares, dos quais 86% já foram colhidos. Os Núcleos Regionais da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (NRs) que respondem por estas áreas são os de Curitiba, com 34,5% do total; Guarapuava (25,6%), Pato Branco (16,6%), Ponta Grossa (11,7%) e União da Vitória (8,2%), somando 96,4% do total estadual.
Paulo Andrade, do Deral, afirma que a produção estimada é de 555 mil toneladas e a comercialização já atingiu 80% da produção. Da área total estimada para o plantio da segunda safra, plantada até dezembro, 59% (corresponde a 10,1 mil ha), já estão, no solo. São 5,9 mil ha distribuídos em nove Núcleos Regionais do Estado.
O preço médio mensal recebido pelos produtores de batata em janeiro ficou em R$ 26,04, a saca de 25 kg, da batata lisa (R$ 1,04/kg), com uma redução de 16% frente aos R$ 30,99 de dezembro do ano passado. No atacado o preço da batata lisa fechou o mês de janeiro em R$ 52,15 a saca (R$ 2,10/kg), 15% abaixo do praticado em dezembro/25.
No mercado varejista, o preço médio mensal da batata lisa passou de R$ 3,44 o quilo, em dezembro, para R$ 3,30/kg em janeiro deste ano. “O excesso de oferta no mercado nacional tem contribuído para as reduções nos preços recebidos pelos agricultores, nos valores praticados no atacado e no varejo, comprometendo a rentabilidade do produtor rural”, constatou Andrade.
SUÍNOS – Nos doze meses de 2025, a produção independente de suínos no Paraná registrou a maior rentabilidade dos últimos cinco anos, com margem média de R$ 1,03 por quilo. “Esse resultado corresponde à diferença entre o preço recebido pelo produtor pelo suíno e o custo de produção”, explica Priscila Marcenovicz, do Deral.
Segundo ela, esse desempenho representa um alento ao setor produtivo que amargou prejuízos desde 2021 e só começou a se recuperar em 2023. No ano passado, o lucro da atividade variou de R$ 0,58/kg, em janeiro, a R$ 1,45/kg, em outubro, um aumento médio de 41,7%.
Para o início de 2026, espera-se redução na rentabilidade em comparação aos últimos meses de 2025, considerando a menor demanda dessa época do ano. Segundo dados do Deral, em janeiro de 2026 o preço recebido pelo produtor pelo suíno foi de R$ 6,94/kg, uma retração de 1,8% (R$ 0,13) em comparação a dezembro de 2025. Os dados de custo de produção referentes a janeiro ainda não foram divulgados pela Embrapa.