Feliz ano velho
Apesar do título remeter ao romance de Marcelo Rubens Paiva, lançado em 1982, esta matéria não trata de literatura. O “ano velho” aqui é a metáfora de um Brasil que, mesmo iniciando 2026, revive uma história antiga: a rotina de mais um ano eleitoral.
O ciclo que se repete
No Brasil, anos eleitorais carregam sempre a promessa de renovação. Mas, na prática, repetem velhos padrões: discursos inflamados, alianças improváveis, promessas grandiosas e a polarização que atravessa famílias, redes sociais e instituições. É como se o país, a cada quatro anos, reeditasse o mesmo roteiro.
O palco de 2026
Este ano será marcado por campanhas intensas, negociações partidárias e disputas internas. A pauta deve girar em torno de temas já conhecidos: economia em recuperação lenta, desigualdade persistente, meio ambiente pressionado, corrupção como fantasma recorrente e o papel das redes sociais na disseminação de informação e desinformação.
Novo ator
Se em eleições passadas o espetáculo se limitava a discursos e imagens cuidadosamente produzidas por marqueteiros, em 2026 surge um novo protagonista: a inteligência artificial. O eleitor pode esperar por atuações fantásticas em fotos (como a que ilustra esta matéria) e vídeos gerados por IA, capazes de criar cenários, discursos e até expressões faciais com realismo impressionante.
Essa tecnologia inaugura uma era em que a fronteira entre o real e o fabricado se torna cada vez mais tênue. Campanhas poderão explorar recursos visuais que simulam situações, reforçam narrativas e até inventam momentos que nunca aconteceram. Para o eleitor, o desafio será distinguir o que é autêntico do que é apenas uma performance digital.
Mais do que um recurso estético, a IA promete ser um ator central na dramaturgia política: produzindo imagens virais, moldando percepções e testando os limites da credibilidade. O espetáculo eleitoral, que já era marcado por encenações, ganha agora uma nova camada de ficção tecnológica.
O eleitor entre esperança e cansaço
O eleitor brasileiro entra em 2026 dividido entre a esperança de mudança e o cansaço diante da repetição. Há quem veja no voto a chance de virar a página; há quem enxergue apenas mais um capítulo da mesma narrativa. A consciência política cresce, mas ainda enfrenta o peso das fake news e da descrença nas instituições.
“Feliz Ano Velho” é, portanto, uma provocação. O país deseja o novo, mas insiste em reviver o antigo. A pergunta que fica é se 2026 será apenas mais um ano eleitoral igual aos anteriores?
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