A vida humana não tem preço, mas prevenção vale mais que aparato
A vida humana não tem preço. É por isso que toda mobilização para preservar uma vida deve ser reconhecida. No caso recente do jovem de 20 anos que se perdeu no Pico Paraná em 1º de janeiro de 2026, vimos uma operação de grande porte: helicópteros, drones, centenas de profissionais e voluntários. O aparato foi impressionante, mas não foi ele que trouxe o rapaz de volta.
No dia 5 de janeiro, após cinco dias de incerteza, o jovem conseguiu sair da mata por conta própria e buscar ajuda em uma fazenda.
Esse detalhe muda a narrativa. O Estado celebra sua capacidade de mobilização, mas a verdade é que o salvamento não foi resultado direto da operação. O esforço coletivo merece respeito, sobretudo o dos voluntários civis, que se engajaram com coragem e dedicação, oferecendo tempo e conhecimento em nome da solidariedade. O reconhecimento a esses voluntários deve ser explícito: eles estavam lá, empenhados e dando o seu melhor.
Ainda assim, o episódio expõe a questão central: por que tantos incidentes continuam acontecendo no Pico Paraná e em outras áreas naturais do Estado?
A resposta está na prevenção. Investir em sinalização adequada, campanhas educativas para montanhistas, fiscalização de acessos e orientação sobre riscos é tão importante quanto ter helicópteros prontos para decolar.
Cada vida salva é uma vitória, mas cada vida protegida pela prevenção é um risco evitado.
O episódio mostra que o aparato é necessário, mas insuficiente. O verdadeiro compromisso com a vida humana exige que o Estado e a sociedade olhem para a raiz do problema: reduzir o número de desaparecimentos e acidentes. Só assim poderemos dizer que estamos, de fato, preservando vidas — não apenas celebrando operações grandiosas.
Pico Paraná
Pico Paraná – O desafio
O Pico Paraná, com 1.877 metros de altitude, é o ponto mais alto da Região Sul e integra o Parque Estadual Pico Paraná. A trilha é longa, exige alto esforço físico — estimada em até 13 horas — e tem classificação de risco “muito alto” pelo Instituto Água e Terra (IAT). Esse perfil ajuda a explicar a recorrência de desaparecimentos e acidentes que demandam operações de resgate.
O caso mais recente ocorreu em 1º de janeiro de 2026, quando Roberto Farias Tomaz, jovem de 19 anos, se perdeu na mata. A mobilização foi imediata: mais de 100 bombeiros e cerca de 300 voluntários participaram da busca, com helicópteros e drones. No entanto, após cinco dias, o jovem conseguiu sair sozinho da mata e buscar ajuda em uma fazenda em Antonina.
O episódio reforça uma realidade: o Estado tem montado uma resposta rápida e bem equipada para os resgates, mas não tem obtido o mesmo êxito na prevenção. Investimentos em sinalização, campanhas educativas e fiscalização poderiam reduzir o número de ocorrências, evitando que vidas fiquem em risco e que operações grandiosas precisem ser acionadas.
Embora existam diversas notificações que acionam o resgate, algumas destas ganham destaque na mídia:
Em 2023, um montanhista de 28 anos sofreu uma queda durante a trilha. Foi resgatado com ferimentos após operação que contou com helicóptero do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas.
Em 2019, dois jovens se perderam em uma trilha secundária. Foram localizados após buscas, e os bombeiros destacaram a falta de sinalização adequada como fator que contribuiu para o incidente.
Em 2015, um montanhista experiente desapareceu durante a descida. Ele foi encontrado após dias de buscas, em operação que mobilizou voluntários civis e o Corpo de Socorro em Montanha.
Já em 2008, um grupo de trilheiros enfrentou intempéries e acabou se perdendo. Foram resgatados após uma operação noturna, episódio citado como exemplo da dificuldade do terreno e da vulnerabilidade dos visitantes.
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