Longe de ser um unanimidade entre os americanos, mesmo os seguimentos que o apoiaram, passaram a se distanciar do governo após as práticas de Donald Trump contra imigrantes e taxas internacionais. O prejuízo para indústrias, tanto em mão de obra (muitos eram imigrantes) quanto em matéria prima importada, tem prejudicado o mercado interno nos EUA.
O café da manhã americano é ícone nacional. Com panquecas encharcadas em mel, bacon frito, café e suco de laranja, o americano inicia o seu dia. Mas as tarifas de Donald Trump sobre o Brasil colocam em cheque este momento sagrado.
Uma distribuidora de suco de laranja nos Estados Unidos acionou a Justiça contra a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil anunciada pelo presidente Donald Trump.
A sobretaxa está prevista para ser implementada em 1º de agosto. As empresas Johanna Foods e Johanna Beverages argumenta que o republicano usou um argumento na divulgação das taxas que não justifica a aplicação da sobretaxa sem a autorização do Congresso americano.
A ação foi protocolada na última sexta (18) no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA e pede que a corte reconheça que a tarifa foi aplicada de forma irregular e declare sua nulidade. É a primeira contestação de uma empresa americana às tarifas brasileiras.
Na carta endereçada ao presidente Lula (PT), Trump diz que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofre uma “caça às bruxas” no julgamento de que é alvo no Brasil acusado de tramar um golpe de Estado, entre outros.
A razão apontada, que é política, e não comercial, é ilegal na visão de diversos economistas americanos, que já previam uma contestação em tribunais.
A empresa alega que a “carta ao Brasil” não configura uma ação executiva válida, não é uma Ordem Executiva e não faz referência ou alteração a ordens previamente existentes, o que compromete sua legitimidade como ato oficial do governo.
Além disso, a empresa afirma que o presidente não declarou emergência nacional nem apontou qualquer ameaça incomum ou extraordinária vinda do exterior que justificasse a imposição da tarifa com base na segurança nacional, política externa ou econômica.
A companhia argumenta que, caso as sobretaxas entrem em vigor, ela teria os gastos com suco de laranja não concentrado importado do Brasil ampliados em cerca de US$ 68 milhões (R$ 380 milhões) no próximo ano. Segundo a empresa, caso as tarifas vão adiante, ela precisará aumentar os preços para o consumidor final em até 25%.
“A tarifa do Brasil resultará em um aumento significativo -e possivelmente proibitivo- no preço de um alimento básico do café da manhã americano”, afirma a petição.
A Johanna Foods alerta ainda para possíveis demissões, redução na produção e riscos à continuidade de suas operações, que sustentam cerca de 700 empregos nos estados de Nova Jersey e Washington.
Na petição protocolada no tribunal, a empresa afirma ser responsável pela produção de sucos de fruta e bebidas e iogurtes e são fornecedores de suco a gigantes varejistas, como “Aldi, Walmart, Sams Club, Wegmans, Safeway e Albertsons”.