Tarifaço de Trump catalisa superávit brasileiro
O superávit comercial de US$ 6,1 bilhões registrado pelo Brasil em agosto de 2025 foi celebrado como uma vitória pelo presidente da Apex, Jorge Viana. Mas por trás dos números positivos está um cenário complexo, marcado por tensões comerciais e uma resposta estratégica que transformou adversidade em oportunidade.
O tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump a diversos produtos brasileiros causou um impacto imediato e severo. As exportações para os Estados Unidos caíram 18,5%, com destaque para setores como aeronaves, carne bovina, açúcar e minério de ferro — este último, inclusive, não teve embarques para os EUA no período. O resultado foi um déficit comercial com os americanos de US$ 1,23 bilhão, o maior do ano.
Diante desse cenário, o Brasil não se resignou. O governo e a Apex intensificaram esforços para diversificar os destinos das exportações, acelerando uma estratégia que antes avançava lentamente. Foram realizados 16 encontros empresariais em todos os continentes, com mais de 7.000 empresários participando por conta própria. Países como China, Índia, México, Canadá e Arábia Saudita passaram a ocupar papel central na política comercial brasileira.
A China, por exemplo, aumentou suas compras em quase 30% no mês, compensando parte das perdas com os EUA. A Índia, apontada por Viana como o maior potencial de crescimento, tornou-se prioridade absoluta, com o maior encontro empresarial já organizado entre os dois países. O Canadá, que já compra US$ 1 bilhão em café brasileiro, também entrou na mira como destino para o excedente antes destinado aos americanos.
Brasil tem superávit de mais de 6 bi.
Além disso, a Apex lançou um programa de R$240 milhões para atrair compradores internacionais e apoiar empresas que dependiam fortemente do mercado norte-americano. A estratégia incluiu a abertura de novos escritórios de negociação, inclusive em Washington, e o fortalecimento do programa Brasil Soberano, que oferece suporte financeiro via BNDES.
É legítimo afirmar que, sem o tarifaço, o superávit brasileiro provavelmente teria sido ainda maior, mantendo os volumes de exportação para os EUA e ampliando os negócios com novos parceiros. No entanto, é igualmente válido reconhecer que o choque externo funcionou como catalisador de uma transformação comercial que talvez não tivesse ocorrido com a mesma velocidade.
Não inteligente celebrar o tarifaço em si, mas sim a capacidade de adaptação e resiliência do Brasil diante de um cenário adverso. A crise imposta por Trump forçou o país a sair da zona de conforto, revelando caminhos alternativos e fortalecendo sua presença global. Se o futuro reserva mais desafios, o Brasil mostrou que está disposto a enfrentá-los com pragmatismo e estratégia.
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