Nos nos 60 e 70 a corrida espacial tinha como objetivo levar o homem ao espaço e depois à lua. Nos anos 80 e 90 a construção de uma estação espacial foi a prioridade. Hoje temos dois objetivos: construir pequenas bases lunares que permitam impulsionar missões espaciais e também explorar a extração de minérios de nosso satélite.
O outro objetivo é chegar a marte para iniciar uma colonização. Para isso existem muitas dificuldades. Mas a falta de água no planeta é um obstáculo muito grande. Ou era. Pois uma nova descoberta começa a mudar muito as chances de colonização do planeta.
Um imenso reservatório de água líquida pode existir nas profundezas sob a superfície de Marte, dentro de rochas ígneas (eruptivas) fraturadas, contendo o suficiente para encher um oceano que cobriria toda a superfície do planeta vizinho da Terra.
Essa é a conclusão dos cientistas, com base em dados sísmicos obtidos pela sonda robótica InSight da Nasa, durante missão que ajudou a decifrar o interior de Marte. A água, localizada a cerca de 11,5 quilômetros (km) a 20 km abaixo da superfície marciana, potencialmente oferece condições favoráveis para sustentar a vida microbiana, seja no passado ou agora, disseram os pesquisadores.
“Nessas profundidades, a crosta é quente o suficiente para que a água exista como um líquido. Em profundidades mais rasas, a água estaria congelada”, disse o cientista planetário Vashan Wright, do Instituto Scripps de Oceanografia da Universidade da Califórnia, em San Diego, principal autor do estudo publicado nessa segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences
“Na Terra, encontramos vida microbiana nas profundezas do subsolo, onde as rochas estão saturadas de água e há uma fonte de energia”, acrescentou o cientista planetário e coautor do estudo Michael Manga, da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
A sonda InSight pousou em 2018 para estudar o interior profundo de Marte, coletando dados sobre as várias camadas do planeta, desde seu núcleo de metal líquido até a crosta. A missão InSight terminou em 2022.
“A InSight foi capaz de medir a velocidade das ondas sísmicas e como elas mudam com a profundidade. A velocidade das ondas sísmicas depende do material de que a rocha é feita, onde há rachaduras e o que preenche as rachaduras”, disse Wright.
“Combinamos a velocidade da onda sísmica medida, as medições de gravidade e os modelos de física da rocha. Os modelos de física das rochas são os mesmos que usamos para medir as propriedades dos aquíferos na Terra ou mapear os recursos de petróleo e gás no subsolo.”