Categoria: BRASIL

  • EUA passam a controlar o Tik Tok. Mas isso afeta o Brasil?

    EUA passam a controlar o Tik Tok. Mas isso afeta o Brasil?

    EUA passam a controlar o Tik Tok. Mas isso afeta o Brasil?

    O recente acordo entre Estados Unidos e China envolvendo o TikTok trouxe mudanças profundas na operação da rede social em território americano. A ByteDance, empresa chinesa responsável pelo aplicativo, criou uma joint venture nos EUA, cedendo o controle majoritário a investidores americanos. A medida foi vista como uma solução para evitar o banimento do aplicativo no país, após anos de pressão política e preocupações com segurança nacional.

    O que mudou nos Estados Unidos

    A nova estrutura corporativa transformou o TikTok nos EUA em uma empresa praticamente independente da ByteDance. A joint venture, chamada TikTok USDS Joint Venture LLC, ficou com 80,1% de participação sob controle de empresas americanas, como Oracle e Silver Lake. A ByteDance manteve apenas 19,9%, tornando-se acionista minoritária e sem poder de decisão relevante.

    O conselho de administração também reflete essa mudança: seis das sete cadeiras passaram a ser ocupadas por representantes americanos, deixando apenas uma vaga para a ByteDance. Isso significa que, na prática, a empresa chinesa se tornou figurativa dentro da operação americana, sem capacidade de influenciar decisões estratégicas.

    Além disso, o acordo prevê salvaguardas específicas para garantir que dados de usuários americanos sejam armazenados e processados em território nacional, sob supervisão de empresas locais. Os algoritmos e sistemas de moderação também passaram a ser auditados, com o objetivo de assegurar que não haja interferência externa na forma como conteúdos são recomendados ou moderados.

    Com a gestão americana, o Tik Tok poderá permanecer nos EUA.

    Impacto global limitado

    Apesar da relevância do acordo, ele não altera diretamente o funcionamento do TikTok em outros países. Na Europa, por exemplo, a rede social continua sob gestão da ByteDance, mas precisa cumprir normas rígidas de proteção de dados, como o GDPR. Já na Índia, o aplicativo foi banido em 2020 por questões de segurança nacional. Em países como Brasil, Canadá e Austrália, o TikTok segue operando normalmente, ainda que sob vigilância regulatória.

    E os usuários brasileiros?

    No Brasil, nada muda de imediato. O TikTok permanece sob controle da ByteDance e deve seguir as regras locais, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Isso significa que os vídeos, algoritmos e recomendações continuam funcionando da mesma forma que antes. No entanto, o acordo nos EUA pode servir de precedente: autoridades brasileiras podem, no futuro, discutir medidas semelhantes para garantir maior controle sobre dados e conteúdos digitais.

    O que esperar daqui para frente

    O caso americano mostra que governos estão cada vez mais atentos ao impacto de plataformas estrangeiras em suas sociedades. Embora os usuários brasileiros não tenham sido afetados diretamente, o debate sobre soberania digital e proteção de dados tende a ganhar força. O TikTok continua global, mas o episódio nos EUA abre espaço para que outros países repensem sua relação com aplicativos que concentram grande volume de informações pessoais.

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  • Presidente do STF defende atuação de Toffoli no caso do Banco Master

    Presidente do STF defende atuação de Toffoli no caso do Banco Master

    Presidente do STF defende atuação de Toffoli no caso do Banco Master

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, emitiu nota oficial, na noite desta quinta-feira (22), para defender a atuação da Corte no inquérito que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. Na manifestação, o chefe do Poder Judiciário cita nominalmente o ministro Dias Toffoli, relator da investigação criminal, que vem sendo alvo de críticas na condução do caso e pressão para deixar a supervisão da apuração feita pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF).    

    “A seu turno, a Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório, e pela ampla defesa, cumprindo respeitar os campos de atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal, porém, atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo Ministro relator, DIAS TOFFOLI”, afirma.

    A nota faz uma defesa enfática da atuação profissional das instituições. Fachin afirma que crises e adversidades não suspendem o Estado de Direito e que, justamente nesses momentos, deve prevalecer o respeito à Constituição, ao devido processo legal e à atuação técnica das instituições. 

    Sem mencionar explicitamente o episódio da fraude no Master, o ministro faz uma menção indireta ao caso destacando que “situações com impacto sobre o sistema financeiro nacional exigem mesmo resposta firme, coordenada e estritamente constitucional das instituições competentes”.

    Fachin ressalta a autonomia do Banco Central, o papel da Polícia Federal na apuração de crimes financeiros e a atribuição do Ministério Público na persecução penal e na defesa da ordem econômica.

    Fachin também afirma ainda que o STF exerce regularmente sua função constitucional, inclusive durante o recesso, período em que matérias urgentes são apreciadas pela Presidência da Corte ou pelo relator dos respectivos processos, sendo posteriormente submetidas ao colegiado.

    “As matérias de competência do Tribunal Pleno ou das Turmas, quando decididas no recesso, serão, oportunamente, submetidas à deliberação colegiada, com observância do devido processo constitucional, da segurança jurídica e da uniformidade decisória. A colegialidade é método”, observa.

    “A Justiça é cega” é um ditado que simboliza a imparcialidade do sistema judicial, significando que deve julgar sem distinção de pessoas, classes ou poder, baseando-se apenas na lei e nas provas, como a estátua da deusa Têmis, que tem os olhos vendados para não ver quem julga.

    O presidente da Corte enfatizou que o Supremo não se curva a ameaças ou intimidações e que ataques à sua autoridade representam ataques à própria democracia, defendendo a crítica legítima, mas repudiando tentativas de desmoralização institucional.

    “Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito”, aponta. “O Supremo age por mandato constitucional, e nenhuma pressão política, corporativa ou midiática pode revogar esse papel. Defender o STF é defender as regras do jogo democrático e evitar que a força bruta substitua o direito. A crítica é legítima e mesmo necessária. Não obstante, a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça”, prossegue a nota.

    Críticas

    Entre decisões recentes de Toffoli que geraram polêmica, está a que determinou o lacre e o acautelamento de bens, documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal na nova fase da Operação Compliance Zero aos cuidados da PGR. A medida chegou a ser criticada por associação de peritos criminais.

    Toffoli também vem tendo sua atuação questionada por parlamentares que alegam suposto impedimento ou suspeição. Mais cedo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou um desses pedidos, apresentado ainda em dezembro pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC). 

    O arquivamento do pedido de afastamento de Toffoli do caso foi elogiado pelo decano do STF, o ministro Gilmar Mendes.

    “Em um Estado de Direito, a preservação do devido processo legal e a observância das garantias institucionais constituem condições essenciais para a estabilidade democrática e para a confiança da sociedade nas instituições. Decisões fundadas em critérios jurídicos objetivos, afastadas de pressões circunstanciais, fortalecem a segurança jurídica e reafirmam a maturidade institucional do sistema constitucional brasileiro”, escreveu Gilmar em postagem na rede X.

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  • O discurso do “rei”

    O discurso do “rei”

    O discurso do “rei”

    Poucas cenas em Davos foram tão emblemáticas quanto a do presidente Donald Trump confundindo repetidamente a Groenlândia com a Islândia. O episódio, que poderia ser apenas uma anedota curiosa, expõe algo mais profundo: a fragilidade de um líder que, diante de plateias globais, mistura países, alianças e responsabilidades como se fossem peças soltas de um tabuleiro. A hilaridade inicial dá lugar à preocupação legítima: quando um chefe de Estado erra nomes de nações em meio a declarações sobre a OTAN e sobre anexações territoriais, o mundo percebe o risco de improviso no coração da política internacional.

    Trump chegou a responsabilizar a “Islândia” por problemas na bolsa americana e pela falta de apoio da aliança atlântica, além de insinuar que o território deveria ser “reconsiderado” em termos de soberania. A confusão é gritante: a Islândia é independente desde 1944, enquanto a Groenlândia permanece como território dinamarquês. A insistência no erro, repetida em diferentes momentos do discurso, reforça a imagem de desatenção e desinformação que já acompanha o presidente em outros fóruns internacionais.

    Mais do que um deslize, o episódio revela a distância entre a retórica populista e a responsabilidade diplomática. Em Davos, líderes europeus reagiram com desconforto, alguns preferindo o silêncio, outros ironizando discretamente a confusão. Para países que dependem da previsibilidade norte-americana em temas de defesa e comércio, a cena foi um lembrete de que a instabilidade não se limita a tweets ou bravatas: ela pode se manifestar em momentos cruciais de negociação global.

    Donald Trump.

    O impacto simbólico

    O erro não é apenas geográfico; é simbólico. Ele traduz a erosão da credibilidade dos Estados Unidos como potência capaz de liderar com clareza e firmeza. Quando o presidente confunde países em um fórum que reúne líderes, empresários e intelectuais, a mensagem transmitida é de improviso e descuido. Isso mina a confiança de aliados e fortalece a percepção de adversários de que a política externa americana está à deriva.

    Em tempos de tensões geopolíticas, a diferença entre Islândia e Groenlândia não é detalhe — é símbolo da seriedade que se espera de quem ocupa a Casa Branca. O mundo não pode se dar ao luxo de rir de lapsos que, na prática, corroem a autoridade de uma nação que ainda se apresenta como guardiã da ordem internacional. O episódio em Davos é mais um alerta: a confusão de nomes pode parecer banal, mas revela a confusão maior de rumos.

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  • “Conselho de Paz” e a personalização do poder

    “Conselho de Paz” e a personalização do poder

    “Conselho de Paz” e a personalização do poder

    A iniciativa de Donald Trump de criar um chamado “Conselho de Paz” mundial expõe uma contradição fundamental: em vez de representar um esforço coletivo pela paz, o projeto revela-se como uma tentativa de institucionalizar um poder pessoal acima das regras multilaterais.

    Poder condicionado ao dinheiro

    A participação nesse Conselho depende de um aporte financeiro bilionário, o que transforma a adesão em um privilégio reservado a países ricos. Além disso, os que contribuírem mais podem estender seus mandatos e obter exceções de obrigações. Essa lógica cria um sistema em que o peso político é diretamente proporcional ao poder econômico, excluindo grande parte do mundo em desenvolvimento e reforçando desigualdades estruturais.

    Centralização na liderança de Trump

    O desenho institucional concentra poderes extraordinários na presidência inaugural de Trump. Ele teria a prerrogativa de convidar ou excluir países, interpretar estatutos e modificar regras conforme sua conveniência. Em vez de um espaço de cooperação entre Estados soberanos, o Conselho se configura como uma estrutura dependente da vontade de um único líder.

    Contradição entre nome e prática

    Chamar de “Conselho de Paz” uma instituição que privilegia interesses econômicos e concentra poder pessoal é uma contradição evidente. A paz, nesse modelo, deixa de ser um objetivo universal e passa a ser condicionada à capacidade financeira e ao alinhamento político com a liderança central.

     

    Ele quer ser o rei do mundo!

    ONU versus Conselho de Paz

    A comparação entre a fundação da ONU em 1945 e a proposta atual de Trump evidencia o contraste entre dois momentos históricos e duas concepções de poder internacional.

    ONU (1945):

    • Nasceu após a Segunda Guerra Mundial, em meio à necessidade de reconstrução e de evitar novos conflitos globais.
    • Baseou-se na Carta das Nações Unidas, que consagra princípios como a igualdade soberana dos Estados, a cooperação internacional e a busca pela paz coletiva.
    • A adesão foi universal, sem barreiras financeiras, permitindo que países grandes e pequenos tivessem voz.
    • Estrutura descentralizada, com Assembleia Geral e Conselho de Segurança, equilibrando poder entre diferentes blocos.

    Conselho de Paz (Trump):

    • Surge em um contexto de desconfiança em relação ao multilateralismo e de tentativa de substituir instituições tradicionais.
    • Fundamenta-se em critérios econômicos: só países capazes de pagar podem participar.
    • Concentra poder em uma liderança única, com prerrogativas que ultrapassam qualquer modelo multilateral.
    • Em vez de universalidade, promove exclusividade, transformando a paz em uma mercadoria de alto custo.

    O “Conselho de Paz” não é apenas uma alternativa à ONU: é um projeto que revela a tentativa de Donald Trump de usar sua posição de governante para institucionalizar um poder pessoal acima das regras multilaterais. Ao transformar a paz em um privilégio financeiro, a iniciativa contradiz os princípios básicos da diplomacia internacional e ameaça o equilíbrio construído desde 1945.

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  • Enamed: veja as notas das faculdades de medicina no Brasil

    Enamed: veja as notas das faculdades de medicina no Brasil

    Enamed: veja as notas das faculdades de medicina no Brasil

    Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) divulgaram, nesta segunda-feira, 19 de janeiro, a análise dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed)2025. O Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina e permite o aproveitamento de seus resultados nos processos seletivos de programas de residência médica. Os resultados apresentados referem-se aos 351 cursos de medicina que participaram do Enamed 2025. Desses, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as instituições públicas federais e as instituições privadas. Os demais são regulados pelos sistemas estaduais. Os resultados finais dos cursos avaliados estão disponíveis aqui. 

    Os resultados individuais dos participantes do Enamed foram divulgados no dia 12 de dezembro de 2025. Os candidatos são classificados conforme os critérios adicionais estabelecidos no edital do Exame Nacional de Residência (Enare). A nota final será divulgada em 21 de janeiro de 2026. 

    De acordo com a análise, dos 304 cursos de medicina de instituições de educação superior públicas federais e privadas que participaram do Enamed, 204 (67,1%) alcançaram conceito 3 a 5 do Enade, considerados satisfatórios. Outros 99 cursos (32%) obtiveram conceito Enade nas faixas 1 e 2 — menos de 60% dos seus estudantes apresentaram desempenho considerado adequado no Enamed — e passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC. 

    O ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou o papel do Enamed como um instrumento de diagnóstico da formação médica no país, mostrando as instituições que estão tendo um bom desempenho e que precisam melhorar. Para ele, é fundamental que os médicos tenham uma boa formação para garantir o atendimento dos cidadãos nos hospitais, postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Há uma grande preocupação nos ministérios da Educação e da Saúde em assegurar que os cursos oferecidos aos alunos brasileiros possam garantir a qualidade da formação médica nesse país, até porque são profissionais que cuidam da vida das pessoas”. 

    Santana destacou que os resultados do Enamed mostraram que 85% dos cursos municipais foram considerados insatisfatórios. Também ressaltou que mais de 80% dos cursos superiores de medicina no Brasil são oferecidos por instituições de ensino superior privadas e que instituições que cobram mensalidade dos alunos devem apresentar qualidade no ensino. “O que estamos avaliando é se os cursos têm uma boa infraestrutura, se eles têm monitoria, laboratório, se têm bons professores. E isso a gente só pode fazer avaliando os resultados e, também, dialogando com as instituições para que possam melhorar”, considerou.  

    Sobre as medidas aplicadas às universidades cujos concluintes não atingiram o nível mínimo de aprendizagem ao final do curso — como a supervisão ou a suspensão das graduações —, Santana destacou que nenhum aluno será prejudicado. Segundo ele, o objetivo “não é aplicar sanções ou penalidades intencionais a qualquer instituição, mas assegurar a formação de médicos de qualidade no Brasil”. 

    Ações de supervisão – Os cursos com conceito 1 e 2 pertencem a 93 instituições de educação superior e estão sujeitos a um processo de supervisão, com a aplicação de diferentes medidas cautelares, de forma escalonada, conforme o percentual de concluintes considerados proficientes. Quanto maior o risco ou ameaça ao interesse público e aos estudantes, mais graves serão as medidas adotadas.  

    Na faixa 1, oito cursos tiveram menos de 30% de concluintes proficientes e sofrerão suspensão de ingresso. Já os 13 cursos que tiveram o percentual de proficiência entre 30% e 40% terão redução de 50% da oferta de vagas. Na faixa 2, os 33 cursos com 40% a 50% de concluintes proficientes passam por redução de 25% das vagas.  

    Esses três primeiros grupos estão impedidos de ampliar vagas e terão suspensa a participação no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e em outros programas federais. 

    Os 45 cursos da faixa 2 que tiveram percentual de proficiência acima de 50% sofrerão apenas a proibição de aumento de vagas, sem medidas cautelares específicas adicionais, por ora. 

    Cabe à Seres dar ciência às instituições responsáveis por esses cursos acerca da instauração de um processo administrativo de supervisão, podendo a instituição se manifestar, no prazo de 30 dias, e requerer a concessão de prazo para saneamento das deficiências. As medidas devem durar até a publicação do Conceito Enade 2026. 

    Balanço – De acordo com o levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o exame avaliou 89.024 estudantes e profissionais de medicina, dos quais 75% obtiveram desempenho proficiente. Entre eles, 39.258 eram estudantes concluintes do curso. Desses, 67% tiveram proficiência. Já o público geral (49.766), que inclui médicos formados e inscritos no Exame Nacional de Residência (Enare), teve 81% dos participantes com proficiência.  

    Conceito Enade – Ao analisar a distribuição dos cursos por Conceito Enade, o levantamento mostra que um curso ficou sem conceito (SC) e teve menos de 10 estudantes avaliados. 

    Entre os cursos avaliados, 24 (7,1%) obtiveram conceito 1, com até 39,9% de estudantes proficientes. O conceito 2 foi atribuído a 83 cursos (23,6%), que apresentaram entre 40% e 59,9% de alunos proficientes. Já 80 cursos (22,7%) alcançaram o conceito 3, com percentuais entre 60% e 74,9%. 

    Na faixa superior, 114 cursos (33,0%) obtiveram conceito 4, com 75% a 89,9% de estudantes proficientes, enquanto 49 cursos (13,6%) alcançaram o conceito máximo, 5, ao registrar percentual igual ou superior a 90% de alunos proficientes. 

    Categoria administrativa – Na análise por categoria administrativa, 6.502 estudantes das instituições de educação superior federal foram avaliados, dos quais 83,1% dos estudantes de medicina alcançaram percentual de proficiência. Entre os estudantes de medicina das instituições estaduais, 86,6% dos 2.402 avaliados tiveram proficiência. Já as instituições de educação superior municipais tiveram 944 estudantes participantes no exame, dos quais 49,7% tiveram conceito proficiente.  

    As instituições privadas com fins lucrativos tiveram 15.409 estudantes participantes, sendo 57,2% deles com resultado proficiente no curso de medicina; e as instituições privadas sem fins lucrativos foram representadas por 12.960 estudantes, dos quais 70,1% alcançaram a proficiência.  

    Enare – O Enamed aprimora a seleção para a residência médica e unifica a avaliação do Enade e a prova teórica do Enare, otimizando o acesso à residência na área médica de acesso direto. O Exame Nacional de Residência é uma iniciativa que democratiza o acesso a residências médicas (acesso direto e com pré-requisitos), multiprofissional e em área profissional da saúde dos hospitais universitários federais, assim como de instituições públicas e privadas com e sem fins lucrativos que fizerem adesão. 

    Em 2025, o Enare contou com a participação de 262 instituições, um crescimento de 61,7% em relação com a edição de 2024, que teve 162 instituições participantes. Em 2022, o exame contava apenas com 92 instituições. O número de inscritos também aumentou, passando de 53.172 inscrições em 2024 para 87.035, em 2025, um crescimento de 63,7%. Esse percentual é muito maior ao comparar com a edição de 2022, quando o número de inscrições era de apenas 27.755, representando um crescimento de aproximadamente 213,6% no período. 

    Ao comparar com a oferta de residência médica, o crescimento do Enare é nítido. O número de programas passou de 790, em 2022, para 1.868, em 2025 — um aumento absoluto de 1.078 programas, um crescimento de aproximadamente 136,5% no período. 

    A evolução da série histórica segue no comparativo das ofertas de vagas de residência médica. Em 2025, foram ofertadas 7.197 vagas pelo Enare, enquanto, em 2024, o programa ofereceu 4.998. Ao comparar a última edição com a de 2022, que teve 2.682 vagas ofertadas, o crescimento no período representa 168,3%. 

    Enamed O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica será realizado anualmente, com início em 2025, e unificará as matrizes de referência e os instrumentos de avaliação no âmbito do Enade para os cursos de medicina e da prova objetiva de acesso direto ao Enare. O novo exame possui relevância estratégica nacional, no escopo da avaliação da formação médica no Brasil, e seus resultados impactam diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS) e o ingresso de novos médicos no mercado de trabalho.  

    O MEC prospecta um ciclo de fortalecimento mútuo entre os exames. Para o ministério, o Enamed impulsiona o engajamento dos estudantes no Enade, tendo em vista que a nota pode servir como meio de ingresso em programas de residência médica de acesso direto. Isso tem impacto positivo para o Enare, visto que todos os concluintes dos cursos de medicina passarão a fazer a prova anualmente.  

    O novo resultado, baseado em padrões de desempenho, traz um aperfeiçoamento importante na avaliação desses cursos, permitindo que os cursos de medicina passem a ter resultados divulgados em uma escala interpretativa dos padrões de desempenho esperados ao final da graduação. Aliado à periodicidade anual, o formato permitirá o monitoramento da qualidade dos cursos de medicina ao longo dos anos.   

    A utilização dos resultados do Enamed para fins de acesso aos programas de residência médica garante maior interesse e engajamento dos estudantes na realização do exame e resultados mais fidedignos para avaliação dos cursos. Além disso, os resultados baseados em padrões de desempenho fornecem informações mais completas e passam a subsidiar melhor as políticas de regulação, supervisão, financiamento e indução da qualidade dos cursos. A periodicidade anual de realização do exame garante que todos os alunos passem pela prova, ampliando a amostra de estudantes avaliados e minimizando os riscos de resultados enviesados. Além de garantir que o ingresso na residência seja mais qualificado.  

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  • Sistema PIX apresenta falhas e deixa milhares sem acesso a pagamentos ou transferências

    Sistema PIX apresenta falhas e deixa milhares sem acesso a pagamentos ou transferências

    Sistema PIX apresenta falhas e deixa milhares sem acesso a pagamentos ou transferências

    O sistema de pagamentos instantâneos Pix apresentou instabilidade na tarde desta segunda-feira (19), provocando falhas em diversos bancos e gerando milhares de reclamações de usuários em todo o país. 

    O problema afetou transferências e pagamentos em tempo real, com impacto imediato sobre consumidores e empresas.

    Segundo o Banco Central (BC), a instabilidade foi causada por um problema interno no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), base central de dados que armazena as informações das chaves Pix.

    “As equipes técnicas atuaram na identificação e resolução da causa, e o Pix já está operando normalmente”, informou o BC em nota.

    De acordo com o site DownDetector, que monitora interrupções em serviços digitais, mais de 6 mil reclamações foram registradas por volta das 14h40, indicando uma falha de grande alcance e não restrita a uma instituição específica. 

    As queixas começaram a diminuir no fim da tarde, sugerindo a normalização do serviço.

    Bancos afetados

    O DownDetector apontou aumento simultâneo de reclamações em ao menos oito instituições financeiras, reforçando a avaliação de falha no sistema central. Entre os bancos citados pelos usuários estão:

    • Banco do Brasil;
    • Caixa Econômica Federal;
    • Itaú Unibanco;
    • Bradesco;
    • Santander;
    • Nubank;
    • Inter;
    • C6 Bank.

    Impacto imediato

    Além das transferências entre pessoas físicas, comerciantes relataram dificuldades para receber pagamentos e até problemas na recarga de equipamentos de cartão que dependem do Pix. Como principal meio de pagamento eletrônico do país, qualquer instabilidade no sistema gera efeitos imediatos sobre o comércio e os serviços.

    No início da noite, o volume de reclamações caiu para perto de zero, indicando que o sistema voltou a operar normalmente após a intervenção técnica do Banco Central.

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  • Veja como foi o resultado do do Enamed, que avaliou estudantes de medicina em todo o Brasil

    Veja como foi o resultado do do Enamed, que avaliou estudantes de medicina em todo o Brasil

    Veja como foi o resultado do do Enamed, que avaliou estudantes de medicina em todo o Brasil

    O Ministério da Educação divulgou nesta segunda-feira (19) os resultados do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), uma prova criada para medir a qualidade dos cursos de Medicina no Brasil e o desempenho dos estudantes. O exame é considerado um marco porque funciona como instrumento de monitoramento e correção, garantindo que futuros médicos estejam preparados para atender a população.

    Principais resultados

    • Mais de 100 cursos receberam notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias.
    • Cerca de 30% dos cursos avaliados terão punições, como suspensão de vagas e restrição ao Fies.
    • Entre os concluintes, apenas 67% demonstraram proficiência — ou seja, conhecimento suficiente para atuar na área. Quase 13 mil alunos não atingiram o nível esperado.

    Comparativo entre instituições

    • Universidades públicas federais: 87,6% dos cursos alcançaram notas altas (conceitos 4 e 5).
    • Universidades estaduais: 84,7% também ficaram entre os melhores desempenhos.
    • Instituições municipais: 87,5% dos cursos ficaram nas faixas mais baixas (1 e 2).
    • Privadas com fins lucrativos: 58,4% tiveram desempenho insatisfatório.
    • Instituições comunitárias e confessionais: quase metade dos cursos alcançou conceito 4.

    O que acontece agora

    • Cursos com conceito 1: suspensão total de novos alunos e exclusão de programas federais.
    • Cursos com conceito 2: redução de vagas e restrição ao Fies.
    • Outras penalidades incluem cortes de até 50% nas vagas e proibição de expansão.

    O que é o Enamed?

    O Enamed é uma avaliação anual aplicada pelo Inep que analisa tanto o desempenho dos estudantes quanto a qualidade dos cursos de Medicina. Ele se diferencia do Revalida (voltado para médicos formados no exterior) e busca garantir que os futuros profissionais tenham formação sólida e segura.

    Até o momento um ranking com todas as faculdades e seus respectivos rendimentos no exame, não foi divulgado.

    A divulgação de um ranking completo deverá afetar o mercado de ensino para cursos superiores em medicina e colocar em xeque profissionais formados em instituições de menor desempenho. E é justamente esta a grande força destes resultados, que poderão tirar do mercado faculdades que entregam profissionais pouco capacitados, ou forçar uma melhora nos cursos, capacitando os estudantes para exercerem a profissão a contento. Ao mesmo tempo deverá ocorrer um aumento na concorrência do curso em faculdades de melhor desempenho.

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  • Mette Frederiksen: A Europa não será chantageada

    Mette Frederiksen: A Europa não será chantageada

    Mette Frederiksen: A Europa não será chantageada

    A recente escalada de tensões entre os Estados Unidos e a União Europeia (UE) trouxe à tona um dos maiores desafios diplomáticos e comerciais da atualidade. O presidente americano, Donald Trump, anunciou tarifas adicionais contra oito países europeus — incluindo Dinamarca, França, Alemanha e Reino Unido — como retaliação à oposição desses governos ao plano de anexação da Groenlândia. A resposta europeia foi imediata e contundente: “A Europa não será chantageada”, declarou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.

    O contexto da crise

    A Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca, tornou-se alvo de disputa geopolítica. Trump justificou sua intenção de anexar a ilha alegando que “a paz mundial está em jogo” e que tanto os EUA quanto a China têm interesse estratégico na região ártica. Como reação, países europeus enviaram tropas para reforçar a segurança local, gesto que intensificou a tensão com Washington.

    Em resposta, Trump anunciou tarifas de 10% sobre produtos desses países a partir de fevereiro, com aumento para 25% em junho, caso a Dinamarca não aceite negociar a venda da ilha. A medida foi vista como uma tentativa de coerção econômica sem precedentes.

    A “bazuca comercial” da União Europeia

    Diante da ameaça, o presidente francês Emmanuel Macron solicitou a ativação do Instrumento contra a Coerção Econômica (ACI), apelidado de “bazuca comercial”. Criado em 2023, o mecanismo permite à UE retaliar países que tentem pressionar seus Estados-membros por meio de medidas comerciais ou financeiras.

    Entre as possíveis ações estão:

    • Tarifas adicionais sobre importações americanas.
    • Restrições ao investimento estrangeiro, impedindo empresas dos EUA de comprar ações em companhias europeias.
    • Bloqueio de participação em licitações públicas dentro do bloco.
    • Exigência de reparações financeiras por danos causados pela coerção.

    Segundo o eurodeputado alemão Bernd Lange, o objetivo principal do ACI é dissuadir pressões externas, mas a UE está preparada para agir caso seja necessário.

    Reações dentro da Europa

    Enquanto Macron defende uma resposta firme, outros líderes pedem cautela. O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, alertou para os riscos de uma guerra comercial descontrolada. Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o bloco será “firme na defesa do direito internacional” e que a resposta será coordenada.

    Ursula von der Leyen afirma que a União Europeia defenderá a Groenlândia

    O primeiro-ministro irlandês Micheál Martin também reconheceu que o instrumento está “sobre a mesa”, mas defendeu que todas as vias diplomáticas sejam esgotadas antes de uma retaliação direta.

    Impactos econômicos

    O comércio entre EUA e UE ultrapassou US$ 1,8 trilhão em 2023, com um fluxo diário de US$ 5 bilhões em bens e serviços. A imposição de tarifas poderia afetar profundamente setores estratégicos, desde a indústria automobilística até o agronegócio. Estimativas apontam que a retaliação europeia poderia chegar a 93 bilhões de euros em tarifas contra os EUA.

    Além disso, há risco de congelamento de acordos recentes que reduziram tarifas e ampliaram investimentos bilaterais. Uma ruptura nesse nível teria repercussões globais, afetando cadeias de suprimentos e a estabilidade dos mercados.

    O simbolismo da Groenlândia

    Mais do que uma disputa territorial, a crise reflete a luta pela influência no Ártico. A Groenlândia possui vastos recursos naturais e posição estratégica para rotas marítimas. Para a UE, ceder à pressão americana significaria abrir mão de princípios fundamentais de soberania e integridade territorial.

    A União Europeia enfrenta um dilema: manter o diálogo para evitar uma guerra comercial ou aplicar sua “bazuca comercial” para mostrar que não aceitará coerção. Independentemente da decisão, a mensagem já foi dada: o bloco não será chantageado. A crise da Groenlândia pode se tornar um marco na afirmação da autonomia europeia frente às grandes potências, reforçando a ideia de que a soberania não está à venda.

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  • Lula critica ações dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo

    Lula critica ações dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo

    Lula critica ações dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo

    Em artigo publicado neste domingo (18) no jornal The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a “captura” do presidente do país, ocorridos no início de janeiro, representam “mais um capítulo lamentável da contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.

    No texto, Lula critica o que classifica como ataques recorrentes de grandes potências à autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança. Segundo o presidente, “quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas”.

    Lula afirma ainda que a aplicação seletiva das normas internacionais compromete o sistema global.

    “Se as normas são seguidas apenas de forma seletiva, instala-se a anomia, que enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas o sistema internacional como um todo”, escreveu.

    Para o presidente, “sem regras coletivamente acordadas, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas”.

    Democracia

    No artigo, Lula reconhece que chefes de Estado ou de governo, “de qualquer país”, podem ser responsabilizados por ações que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais.

    No entanto, ressalta que “não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”. Segundo ele, “ações unilaterais ameaçam a estabilidade em todo o mundo, desorganizam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.

    O presidente afirma ser “particularmente preocupante” que essas práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe.

    Segundo Lula, elas levam “violência e instabilidade a uma parte do mundo que busca a paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos”.

    Ele destaca que, “em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos”.

    Ao tratar da região, Lula afirma que a América Latina e o Caribe, com mais de 660 milhões de habitantes, “têm seus próprios interesses e sonhos a defender”. Em um mundo multipolar, “nenhum país deveria ter suas relações externas questionadas por buscar a universalidade”.

    “Não seremos subservientes a empreendimentos hegemônicos” e defende que “construir uma região próspera, pacífica e plural é a única doutrina que nos serve”.

    Agenda regional

    Lula também defende, no artigo, a construção de uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas.

    “Queremos atrair investimentos em infraestrutura física e digital, promover empregos de qualidade, gerar renda e ampliar o comércio dentro da região e com países de fora dela”, afirma. Segundo o presidente, “a cooperação é fundamental para mobilizar os recursos de que tanto precisamos para combater a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e as mudanças climáticas”.

    Sobre a Venezuela, Lula afirma que “o futuro do país, assim como o de qualquer outro, deve permanecer nas mãos de seu povo”.

    Apenas um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável”.

    Cooperação

    No texto, Lula diz ainda que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo venezuelanos para “proteger os mais de 1.300 quilômetros de fronteira compartilhada” e aprofundar a cooperação bilateral.

    Ao tratar da relação com os Estados Unidos, o presidente afirma que Brasil e EUA são “as duas democracias mais populosas do continente americano”. Segundo Lula, “unir esforços em torno de planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir”.

    “Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós.”

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  • Groenlândia e o poder e ganância de Donald Trump

    Groenlândia e o poder e ganância de Donald Trump

    Groenlândia e o poder e ganância de Donald Trump

    A mais recente ofensiva de Donald Trump contra a União Europeia e a Dinamarca reacendeu um debate que parecia enterrado nos arquivos da política externa americana: a ambição de controlar a Groenlândia. O anúncio de tarifas adicionais contra países europeus, somado às ameaças explícitas de retaliação caso Copenhague não ceda às pressões, expõe não apenas uma estratégia de poder, mas também uma lógica de ganância que desafia os limites da diplomacia contemporânea.

    A escalada tarifária como instrumento de coerção

    Trump anunciou tarifas de 10% sobre produtos europeus a partir de fevereiro, com previsão de aumento para 25% em junho, condicionando a suspensão das medidas à “compra completa e total da Groenlândia” pelos Estados Unidos. A retórica é clara: transformar o comércio internacional em moeda de troca para objetivos geopolíticos. Ao vincular tarifas à aquisição de território, o presidente americano rompe com a tradição de negociações multilaterais e coloca em xeque a credibilidade das instituições que sustentam a ordem global.

    Essa postura revela uma concepção de poder baseada na intimidação econômica. Trump insiste que os EUA “subsidiaram” a Europa por décadas e que chegou a hora de reverter essa suposta dependência. A mensagem implícita é de que Washington não hesitará em usar sua força econômica para impor sua vontade — mesmo que isso signifique corroer alianças históricas.

    A resposta europeia: unidade diante da pressão

    A União Europeia reagiu com rapidez, convocando uma reunião de emergência em Chipre para discutir uma resposta coordenada. Ursula von der Leyen e António Costa, líderes da Comissão e do Conselho Europeu, repudiaram a decisão americana, alertando para o risco de uma “espiral descendente perigosa” nas relações transatlânticas. O comunicado reforçou a solidariedade com a Dinamarca e destacou que a Europa permanecerá unida na defesa de sua soberania.

    Esse gesto é mais do que simbólico. Ao se alinhar com Copenhague, a UE sinaliza que não aceitará a fragmentação de seus membros diante de pressões externas. A Groenlândia, embora autônoma, é parte integrante do Reino da Dinamarca, e sua soberania não pode ser negociada unilateralmente. A tentativa de Trump de transformar o território em peça de barganha expõe uma visão imperialista que contrasta com os princípios de cooperação defendidos pela União Europeia.

    Dinamarca e o reforço das alianças no Ártico

    Enquanto Bruxelas articula uma resposta política, Copenhague age no campo estratégico. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, iniciou uma turnê por Noruega, Reino Unido e Suécia para reforçar a coordenação sobre segurança no Ártico. A iniciativa busca consolidar o papel da OTAN na região e garantir que a Groenlândia não se torne alvo de disputas unilaterais.

    Donald Trump quer o mundo.

    Rasmussen foi enfático ao afirmar que “em um mundo instável e imprevisível, a Dinamarca precisa de aliados próximos”. A mensagem reflete a percepção de que Trump não apenas ameaça a soberania dinamarquesa, mas também coloca em risco a estabilidade da própria Aliança Atlântica. Ao acusar os países europeus de participar de um “jogo muito perigoso” por enviarem militares à Groenlândia, o presidente americano tenta deslegitimar exercícios coordenados que visam justamente fortalecer a defesa coletiva.

    O Ártico como palco da disputa global

    A insistência de Trump em adquirir a Groenlândia não é mero capricho. O território possui importância estratégica crescente, tanto pela proximidade com rotas marítimas emergentes quanto pelos recursos naturais ainda pouco explorados. Além disso, o desenvolvimento de sistemas de defesa como o “Golden Dome”, citado pelo presidente, reforça o valor militar da região.

    Nesse contexto, a ganância se confunde com cálculo geopolítico. Trump argumenta que China e Rússia também desejam a Groenlândia, e que os EUA não podem permitir que rivais avancem sobre o território. A lógica, porém, ignora que a soberania da ilha pertence à Dinamarca e que qualquer tentativa de compra ou anexação sem consentimento internacional seria uma violação flagrante do direito internacional.

    Poder, ganância e o risco de isolamento

    O episódio revela a essência da política externa trumpista: o uso do poder econômico e militar como instrumentos de pressão, sem considerar os custos diplomáticos. Ao transformar aliados em alvos de tarifas e ameaças, Trump arrisca isolar os Estados Unidos em um momento em que a cooperação internacional é vital para enfrentar desafios globais.

    A ganância pela Groenlândia simboliza mais do que uma disputa territorial. É a expressão de uma visão de mundo em que o poder se exerce pela imposição e em que alianças históricas podem ser descartadas em nome de objetivos imediatos. Para a Europa, o desafio é resistir sem ceder à intimidação; para a Dinamarca, é reafirmar sua soberania com o apoio de aliados estratégicos. Para o mundo, é um alerta de que a ordem internacional pode ser reconfigurada não pela cooperação, mas pela vontade unilateral de um líder disposto a transformar o comércio e a diplomacia em armas de conquista.

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