Categoria: BRASIL

  • Trump prefere confrontos com os mais fracos

    Trump prefere confrontos com os mais fracos

    Trump prefere confrontos com os mais fracos

     

    Trump mira adversários militarmente frágeis: a escalada contra a Venezuela expõe uma estratégia de baixo risco e alto impacto político

    A movimentação militar dos Estados Unidos no Caribe reacendeu o debate sobre a estratégia externa do presidente Donald Trump. Nas últimas semanas, o governo ampliou a presença de navios de guerra, aeronaves e tropas na região, sob a justificativa de combater o tráfico de drogas. Mas analistas internacionais apontam que a operação vai muito além disso: ela revela a escolha de um adversário militarmente fraco — a Venezuela — como alvo de uma escalada calculada para produzir ganhos políticos internos com risco reduzido.

    A tensão aumentou quando Trump afirmou que ataques terrestres contra a Venezuela poderiam começar “muito em breve”, alegando a necessidade de conter o fluxo de narcóticos para os EUA . A retórica foi acompanhada por ações concretas: operações marítimas contra supostos barcos de contrabandistas e, mais recentemente, a apreensão de um navio petroleiro venezuelano por forças militares americanas.

    A justificativa antidrogas: uma narrativa que não fecha

    O governo Trump enquadrou a operação como parte de um esforço para “parar o tráfico de drogas”. No entanto, especialistas questionam a eficácia dessa explicação. A destruição de algumas embarcações e o cerco naval têm impacto limitado sobre o fluxo de narcóticos para os EUA, que depende majoritariamente de rotas terrestres e aéreas, especialmente vindas de países como México e Colômbia — ambos com maior participação no tráfico e com forças armadas mais robustas.

    Apesar disso, a mobilização militar mais agressiva foi direcionada justamente à Venezuela, que possui capacidade bélica reduzida e enfrenta isolamento diplomático. A escolha do alvo, portanto, levanta suspeitas sobre motivações políticas e estratégicas.

    A Venezuela como alvo conveniente

    A imprensa internacional destaca que Trump “amassou uma força naval sem precedentes no Caribe” e chegou a afirmar que os “dias de Maduro estão contados”, sem descartar uma invasão terrestre. A escalada ocorre em um momento em que a Venezuela enfrenta grave crise econômica, queda na capacidade militar e dependência de aliados externos.

    A escolha de um adversário frágil não é inédita na política externa americana, mas ganha contornos particulares sob Trump. A retórica de “libertar a Venezuela de um ditador” convive com ações que miram diretamente o principal ativo econômico do país: o petróleo. A apreensão do petroleiro venezuelano — classificada pelo governo Maduro como “roubo descarado” — reforçou a percepção de que os EUA buscam pressionar economicamente o regime e, possivelmente, influenciar o controle de recursos estratégicos.

    Donald Trump e Nicolás Maduro.

    Interesses econômicos e o petróleo no centro da disputa

    A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, e o episódio do petroleiro apreendido foi interpretado por analistas como um sinal claro de que o governo Trump está disposto a usar força militar para interferir no comércio energético venezuelano. A ação foi inédita e levantou questionamentos sobre se poderia ser considerada um ato de guerra.

    Além disso, autoridades americanas acusaram Maduro de integrar um suposto cartel de drogas e de usar o petróleo para financiar atividades ilícitas — acusações que ampliam o espaço político para justificar ações militares mais duras.

    Por que não confrontar países mais fortes?

    A pergunta que emerge é inevitável: se o objetivo é combater o tráfico de drogas, por que a mobilização militar mais agressiva ocorre justamente contra um país que não é o principal responsável pelo fluxo de narcóticos para os EUA?

    México e Colômbia, por exemplo, têm participação muito maior no tráfico e possuem forças armadas mais preparadas. Confrontá-los militarmente seria arriscado e politicamente explosivo. A Venezuela, por outro lado, oferece um alvo de baixo risco militar e alto potencial de impacto simbólico.

    Essa assimetria reforça a tese de que Trump escolhe adversários vulneráveis para construir narrativas de força — uma estratégia que combina espetáculo político, demonstração militar e cálculo geopolítico.

    Uma escalada calculada

    A operação no Caribe, a retórica de ameaça direta a Maduro e a apreensão de um navio petroleiro formam um quadro claro: Trump está disposto a usar poder militar para pressionar um adversário enfraquecido, enquanto apresenta a ação como defesa dos EUA contra o tráfico de drogas.

    A escolha da Venezuela — e não de países militarmente mais fortes ou mais relevantes no narcotráfico — revela uma estratégia que privilegia confrontos de baixo risco e alto retorno político. A narrativa de “libertação” e o foco no petróleo apenas reforçam essa leitura.

    Em recente conversa por telefone, com o presidente Lula, que tenta mediar a permanência da paz na América do Sul, o seguinte diálogo ocorreu:

    “Trump, nós não queremos guerra na América Latina. Nós somos uma zona de paz”, relatou Lula, sobre a conversa ao telefone. “‘Mas eu [Trump] tenho mais armas, eu tenho mais navio, eu tenho mais bomba. Retrucou Trump.’

    A escalada continua, e o mundo observa até onde Trump está disposto a ir. Ontem ele já declarou que o próximo será a Colômbia, outro adversário fácil militarmente. 

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  • Moraes cassa mandato de Zambelli

    Moraes cassa mandato de Zambelli

    Moraes cassa mandato de Zambelli

    Carla Zambelli

    Moraes anula decisão da Câmara e determina cassação de Carla Zambelli: o que está por trás do novo embate entre os Poderes

    A crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Câmara dos Deputados ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, após o ministro Alexandre de Moraes anular a decisão da Casa que havia mantido o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A parlamentar, condenada pelo STF e atualmente presa na Itália, havia sido poupada pelos deputados em uma votação apertada — e controversa — realizada na madrugada anterior.

    A decisão de Moraes, que determinou a cassação imediata e a posse do suplente em até 48 horas, reacendeu o debate sobre os limites entre os Poderes e levantou questionamentos sobre a coerência e a legalidade das decisões recentes.

    O que aconteceu

    1. A votação na Câmara

    Na madrugada de quinta-feira, a Câmara rejeitou a cassação de Zambelli. O parecer pela perda do mandato recebeu 227 votos favoráveis — 30 a menos do necessário para cassar a deputada, segundo o regimento da Casa g1. Com isso, o processo foi arquivado.

    A decisão surpreendeu, já que Zambelli havia sido condenada pelo STF a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Mesmo assim, parte dos deputados entendeu que caberia ao Legislativo decidir politicamente sobre a cassação.

    2. A reação do STF

    Horas depois, Moraes anulou a votação, classificando-a como “ato nulo” por violar o artigo 55 da Constituição, que prevê a perda automática do mandato em caso de condenação criminal com trânsito em julgado.

    Segundo o ministro, a Câmara não poderia deliberar politicamente sobre algo que, na visão do STF, seria apenas um ato declaratório — isto é, reconhecer a perda do mandato já determinada pela condenação.

    Por que há tanta controvérsia?

    1. Disputa sobre competências

    O cerne do conflito está na interpretação do artigo 55 da Constituição. O STF entende que, em casos de condenação definitiva, a perda do mandato é automática. Já parte da Câmara defende que a decisão final cabe ao Legislativo, preservando a autonomia entre os Poderes.

    Essa divergência não é nova, mas o caso Zambelli reacende a tensão institucional.

    2. O contexto político

    A situação se torna ainda mais peculiar porque Zambelli está presa na Itália, após fugir do Brasil para evitar a prisão. A manutenção do mandato, mesmo com a parlamentar impossibilitada de exercer suas funções, já havia causado estranhamento entre analistas e parte da opinião pública.

    3. A velocidade das decisões

    Outro ponto que chama atenção é a rapidez com que os fatos se desenrolaram:

    • De madrugada, a Câmara rejeita a cassação.
    • Horas depois, Moraes anula a decisão e determina a perda imediata do mandato.
    • Em seguida, o STF agenda sessão virtual para confirmar a decisão do ministro.

    Essa sequência acelerada reforça a percepção de instabilidade e improviso institucional.

    O que está em jogo

    1. A autonomia dos Poderes

    O caso expõe, mais uma vez, o atrito entre Legislativo e Judiciário. A Câmara tenta afirmar sua prerrogativa de decidir sobre mandatos parlamentares; o STF, por sua vez, sustenta que a Constituição já determina o desfecho.

    2. A imagem das instituições

    Para o público, o episódio pode reforçar a sensação de que decisões importantes estão sendo tomadas de forma reativa, politizada ou pouco transparente.

    3. O precedente

    Independentemente do mérito, o caso Zambelli cria um precedente relevante: até onde vai o poder do STF para intervir em decisões internas do Legislativo? E até onde vai a autonomia da Câmara para interpretar a Constituição?

    A cassação de Carla Zambelli, anulada e restabelecida em menos de 24 horas, simboliza um momento de forte tensão entre os Poderes da República. Mais do que o destino político da deputada, o episódio revela um embate institucional profundo, que coloca em discussão a separação de Poderes, a interpretação constitucional e a própria estabilidade democrática.

    Enquanto o STF reafirma sua autoridade constitucional, a Câmara tenta preservar sua autonomia. No meio desse conflito, o cidadão assiste a decisões rápidas, contraditórias e, muitas vezes, difíceis de compreender — um retrato fiel do atual cenário político brasileiro.

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  • Salário mínimo será de R$ 1.621 em 2026

    Salário mínimo será de R$ 1.621 em 2026

    Salário mínimo será de R$ 1.621 em 2026

    O governo federal confirmou que o salário mínimo nacional passará a ser de R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026, um aumento de R$ 103 em relação ao valor atual de R$ 1.518. 

    O reajuste segue a nova política de valorização do mínimo, que combina inflação e crescimento econômico, mas com limites impostos pelo arcabouço fiscal.

    A seguir, veja como o valor foi definido, quem é impactado e o que muda na prática para o trabalhador.

    Como o novo valor foi calculado

    O reajuste do salário mínimo leva em conta dois componentes:

    • Inflação medida pelo INPC até novembro de 2025: 4,18%
    • Ganho real baseado no crescimento do PIB de dois anos antes, limitado a 2,5% pelo arcabouço fiscal

    Somando os dois fatores, chega-se ao aumento total que eleva o piso para R$ 1.621.

    O valor ficou abaixo das previsões iniciais — o Orçamento estimava R$ 1.631, e o governo falava em R$ 1.627 — porque a inflação fechou mais baixa do que o esperado.

    Quando o novo salário começa a valer

    O novo mínimo entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, mas o trabalhador verá o valor reajustado no início de fevereiro, quando recebe o salário referente a janeiro.

    Quem é impactado

    O salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de brasileiros, segundo o Dieese, número citado na matéria.
    Isso inclui:

    • Trabalhadores formais que recebem 1 salário mínimo
    • Aposentados e pensionistas que ganham o piso do INSS
    • Beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada)
    • Seguro-desemprego e abono salarial

    Além disso, o mínimo influencia pisos regionais, negociações coletivas e até valores de indenizações judiciais.

    Impacto no bolso do trabalhador

    Com o novo valor:

    • Quem ganha 1 salário mínimo terá R$ 103 a mais por mês
    • Em um ano, isso representa R$ 1.236 adicionais
    • Benefícios atrelados ao mínimo também sobem automaticamente

    Para quem recebe múltiplos do mínimo (2, 3, 4 salários), o aumento é proporcional.

    Impacto nas contas públicas

    O aumento do salário mínimo tem forte efeito fiscal.
    Segundo cálculos do governo, cada R$ 1 de aumento gera cerca de R$ 420 milhões em despesas obrigatórias.
    Assim, o reajuste de R$ 103 representa aproximadamente R$ 43,2 bilhões a mais em gastos federais em 2026.

    Isso reduz o espaço para despesas discricionárias — como investimentos e programas não obrigatórios.

    O salário mínimo é suficiente?

    A Constituição determina que o salário mínimo deve garantir condições dignas de vida.
    Mas, segundo o Dieese, o valor necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido R$ 7.067,18 em novembro de 2025 — 4,66 vezes o mínimo atual.

    Essa diferença mostra que, embora o mínimo esteja sendo valorizado novamente, ele ainda está longe de cobrir o custo real de vida.

    Por que o salário mínimo importa tanto

    O piso nacional é um dos instrumentos mais importantes de distribuição de renda no Brasil.
    Quando ele sobe:

    • Aumenta o poder de compra das famílias
    • Estimula o comércio local
    • Reduz desigualdades
    • Eleva a arrecadação via consumo

    Por outro lado, pressiona as contas públicas e pode afetar a capacidade de investimento do governo.

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  • Câmara rejeita cassação do mandato de Carla Zambelli

    Câmara rejeita cassação do mandato de Carla Zambelli

    Câmara rejeita cassação do mandato de Carla Zambelli

    Um mandato que existe no papel, mas não na República

    A decisão da Câmara dos Deputados de manter o mandato de Carla Zambelli — mesmo após sua condenação definitiva pelo Supremo Tribunal Federal e enquanto cumpre pena na Itália — expõe uma contradição institucional que desafia a lógica democrática e o bom senso administrativo. Não se trata de concordar ou discordar de parlamentares ou ministros, mas de observar o fato nu e cru: o Brasil agora convive com uma deputada que, por força de sentença judicial, está impossibilitada de exercer qualquer função do cargo, mas que continua a ostentar o título, as prerrogativas e os vencimentos de uma representante eleita.

    A situação é tão inusitada quanto desconfortável. A parlamentar foi condenada a dez anos de prisão por comandar a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, em parceria com um hacker, com o objetivo de inserir documentos falsos — inclusive um suposto mandado de prisão contra um ministro do próprio STF. A pena é definitiva. Não há recursos pendentes. A extradição está em curso. E, ainda assim, o plenário da Câmara decidiu que ela deve permanecer deputada.

    O impasse nasce de uma divergência interpretativa da Constituição. O STF entendeu que, por estar condenada a regime fechado por mais de 120 dias, Zambelli inevitavelmente ultrapassaria o limite de faltas permitido, o que tornaria a perda do mandato automática — bastaria a Mesa da Câmara declarar o fato consumado. A Câmara, por sua vez, optou por tratar o caso como perda de mandato por condenação criminal, que exige votação em plenário. E, como não houve votos suficientes, o mandato foi preservado.

    Carla Zambelli mantém seu mandato mesmo estando presa.

    Mas o ponto central não é jurídico; é prático. Como pode um mandato sobreviver quando sua titular não pode exercê-lo? A parlamentar não comparece a sessões, não vota, não participa de comissões, não representa seu estado, não cumpre nenhuma das funções inerentes ao cargo. Está presa em outro país. Ainda assim, permanece deputada.

    O resultado é um vácuo de representação. O eleitorado paulista fica sem voz plena na Câmara, enquanto a estrutura pública continua a remunerar e reconhecer alguém que, por determinação judicial, está impedida de atuar. É uma distorção que não encontra paralelo em democracias maduras e que remete ao precedente de Natan Donadon, em 2013 — outro caso em que a Câmara preservou um mandato que, na prática, já não existia.

    O episódio revela algo maior: a dificuldade das instituições brasileiras em lidar com situações-limite, especialmente quando envolvem conflitos entre Poderes. A Constituição prevê mecanismos, mas a interpretação fragmentada desses mecanismos abre espaço para paradoxos como este — paradoxos que fragilizam a confiança pública e alimentam a sensação de que a política opera em um universo próprio, desconectado da realidade.

    Independentemente do desfecho — que provavelmente voltará ao STF — o fato já está posto. O Brasil assiste a um mandato fantasma: presente no contracheque, ausente no plenário. Um símbolo incômodo de como a letra da lei, quando lida de forma divergente, pode produzir resultados que desafiam a lógica institucional e o senso comum.

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  • Fraudes no INSS e devoluções bilionárias

    Fraudes no INSS e devoluções bilionárias

    Fraudes no INSS e devoluções bilionárias

    Depois de meses em que o noticiário esteve dominado por crises políticas e desastres naturais, uma pauta de enorme impacto social passou quase despercebida: o escândalo dos descontos indevidos (roubo) em aposentadorias e pensões do INSS. Entre 2019 e 2024, milhões de beneficiários tiveram valores retirados de seus pagamentos sem autorização, em um esquema que envolveu entidades de fachada e até dirigentes do próprio instituto. O caso levou à prisão de figuras importantes, incluindo o ex-presidente do INSS, e expôs falhas graves na proteção dos mais vulneráveis.

    A pressão sobre o governo resultou em um acordo histórico. Desde julho de 2025, aposentados começaram a receber de volta o dinheiro perdido. Os pagamentos são feitos em lotes quinzenais, diretamente nas contas dos beneficiários, sem necessidade de ação judicial. Até dezembro, já foram devolvidos cerca de R$ 2,6 bilhões a 3,9 milhões de pessoas.

    O processo foi acompanhado de perto pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli convocou audiências de conciliação para garantir que o cronograma fosse cumprido e que os idosos não precisassem enfrentar anos de disputa judicial. O Ministério Público Federal e a Advocacia-Geral da União também atuaram para dar transparência às devoluções.

    O roubo foi milionário e o país tem que devolver o mais rápido possível, o dinheiro roubado de pensionistas e aposentados do INSS.

    Para os aposentados, o impacto é imediato. Muitos já viram os valores aparecer em suas contas, trazendo alívio após anos de prejuízo. Para o INSS, o desafio é reconstruir a credibilidade abalada por um escândalo que mostrou como o sistema pode ser manipulado contra aqueles que mais dependem dele.

    O episódio, que parecia ter ficado em segundo plano diante de outras notícias, é na verdade um dos maiores movimentos de reparação financeira já realizados pelo Estado brasileiro. E, para milhões de aposentados, representa não apenas a devolução de dinheiro, mas também a esperança de que a confiança no sistema previdenciário possa ser restaurada.

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  • Bolsonaro poderá cumprir 2 anos e 4 meses em regime fechado em vez dos 7 anos e 8 meses

    Bolsonaro poderá cumprir 2 anos e 4 meses em regime fechado em vez dos 7 anos e 8 meses

    Bolsonaro poderá cumprir 2 anos e 4 meses em regime fechado em vez dos 7 anos e 8 meses

    A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que prevê a redução de penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta foi aprovada em plenário por 291 votos a 148 e será enviada ao Senado.

    O texto aprovado na madrugada desta quarta-feira (10) é um substitutivo do relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ao Projeto de Lei 2162/23, do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e outros.

    O substitutivo determina que os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.

    O texto original previa anistia a todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e dos acusados dos quatro grupos relacionados à tentativa de golpe de Estado julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas esse artigo foi retirado do projeto.

    Grupo principal

    Se virar lei, a nova forma de soma de penas deve beneficiar todos os condenados da tentativa de golpe de Estado, como aqueles do grupo principal:

    Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

    Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

    Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

    Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil;

    Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

    Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; e

    Alexandre Ramagem, deputado federal.

    Esse grupo foi condenado a penas que variam de 16 a 24 anos em regime fechado pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em caráter definitivo, em 25 de novembro deste ano. Outras penas de detenção devem ser cumpridas depois daquelas de reclusão.

    Como a lei pode retroagir para beneficiar o réu, a nova regra implicaria revisão do total para esses dois crimes, prevalecendo a pena maior (4 a 12 anos) por tentativa de golpe de Estado. Agravantes e atenuantes ainda serão aplicáveis sobre o cálculo.

    Parlamentares da oposição preveem, para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que o total da redução pode levar ao cumprimento de 2 anos e 4 meses em regime fechado em vez dos 7 anos e 8 meses pelo cálculo atual da vara de execução penal.

    A conta final, no entanto, cabe ao Supremo definir e pode depender de ser validado o uso de trabalho e estudo em regime domiciliar para diminuição dos dias de prisão.

    Progressão

    A diferença também é influenciada pela mudança nas regras de progressão de regime fechado para semiaberto feita pelo relator.

    Atualmente, exceto para condenados por crimes hediondos, o réu primário obtém progressão de pena se cumprir 16% dela em regime fechado, mas o crime não pode ter sido cometido com violência à pessoa ou grave ameaça.

    Como os crimes de tentativa de golpe e abolição do Estado Democrático são tipificados com a característica de “violência ou grave ameaça”, Paulinho da Força muda o texto da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/84) para fazer valer os 16% de regime fechado para crimes com ou sem violência ou grave ameaça.

    Sem a mudança, a progressão ocorreria apenas com o cumprimento de 25% da pena pelo réu primário. Para os reincidentes, o índice de cumprimento no regime fechado passa de 30% para 20%.

    Esses 25% valerão apenas para o réu primário condenado por crimes contra a vida (título I do Código Penal) e contra o patrimônio (título II do Código Penal) praticados com violência ou grave ameaça.

    Já a reincidência, na mesma situação de crimes contra a vida ou o patrimônio, continua implicando cumprimento de 30% da pena para a progressão.

    A nova fórmula de cálculo da pena beneficia a todos os que foram condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, especialmente Bolsonaro.

    Outros crimes

    A referência, no Código Penal, a crimes praticados com “grave ameaça” envolve vários não pertencentes aos títulos I e II, como o de afastamento de licitante (reclusão de 3 a 5 anos), constante do título XI.

    No título VI estão tipificados crimes contra a liberdade sexual para os quais há agravantes relacionados a essa grave ameaça, como favorecimento da prostituição (reclusão de 4 a 10 anos) e rufianismo (reclusão de 2 a 8 anos), cujas progressões seriam também afetadas pela redação proposta, já que a referência à violência contra a pessoa ou grave ameaça, para efeitos de progressão de regime, é substituída pela referência apenas aos títulos I (crimes contra a vida, como homicídio) e II (crimes contra o patrimônio, como roubo).

    Assim, esses crimes citados contarão com menor tempo para progressão de regime, pois não são enquadrados como hediondos, com exigência maior para alcançar o semiaberto, nem constam dos títulos I ou II do Código Penal.

    Prisão domiciliar

    O relator propõe ainda que a realização de estudo ou trabalho para reduzir a pena, como permitido atualmente no regime fechado, possa valer no caso da prisão em regime domiciliar.

    Sobre esse tema, principalmente o Superior Tribunal de Justiça (STJ) produziu jurisprudência permitindo essa prática, contanto que comprovada e que possa ser fiscalizada.

    Multidão

    Para os crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e de tentativa de golpe de Estado, quando praticados em contexto de multidão, como o caso dos participantes dos atos de 8 de janeiro de 2023 nas sedes dos três Poderes, em Brasília, o texto reduz a pena de um terço a dois terços, desde que o agente não tenha financiado o ato ou exercido papel de liderança.

    Destaques rejeitados

    O plenário rejeitou todos os destaques apresentados pelo PSB e pelas federações PSOL-Rede e PT-PCdoB-PV na tentativa de mudar trechos do texto.

    Confira os destaques votados e rejeitados

    Destaque do PSB pretendia excluir todas as mudanças no sistema de progressão de penas

    Destaque da Federação PSOL-Rede pretendia manter o cumprimento mínimo de 25% da pena de reclusão pelo réu primário condenado por qualquer crime com o exercício de violência ou grave ameaça, como os relacionados à tentativa de golpe de Estado

    Destaque da Federação PT-PCdoB-PV tinha o mesmo objetivo, com outra exclusão semelhante de parte do texto

    Destaque da Federação PT-PCdoB-PV pretendia excluir a possibilidade de diminuição de pena com estudo ou trabalho realizado em prisão domiciliar

    Destaque da Federação PT-PCdoB-PV pretendia retirar trecho que determina o uso apenas da maior pena dos crimes de tentativa de golpe de Estado e de abolição do Estado Democrático de Direito;

    Destaque da Federação PT-PCdoB-PV pretendia excluir trecho que prevê redução de um terço a dois terços da pena por esses crimes se praticados no contexto de multidão, como os atos de 8 de janeiro de 2023.

    O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), disse hoje (10) que o projeto de lei que reduz as penas dos condenados por atos golpistas, o chamado PL da Dosimetria, deve ser votado na próxima quarta-feira (17) no colegiado.

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  • A saúde suplementar no Brasil e o labirinto da judicialização

    A saúde suplementar no Brasil e o labirinto da judicialização

    A saúde suplementar no Brasil e o labirinto da judicialização

    A medicina brasileira atravessa um momento de crise silenciosa, mas profunda. O que deveria ser o espaço de excelência — o atendimento particular e por planos de saúde — tornou-se alvo de desconfiança. Consultas rápidas, médicos pressionados por protocolos rígidos e pacientes limitados por negativas de exames e tratamentos revelam um sistema que se vende como “premium”, mas entrega cada vez menos.

    O crescimento explosivo das ações

    O estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostra que, entre 2020 e 2024, o número de processos contra planos de saúde cresceu 112%, chegando a quase 300 mil novas ações em 2024. A projeção é alarmante: até 2035, poderíamos alcançar 1,2 milhão de processos por ano. Esse dado não é apenas estatístico; é um retrato da falência de um modelo que obriga o cidadão a recorrer ao Judiciário para garantir o direito básico à saúde.

    O Judiciário como porta de entrada

    Quando o Supremo Tribunal Federal decidiu restringir a cobertura de tratamentos fora do rol da ANS, reforçou a previsibilidade para operadoras, mas deixou pacientes com doenças raras em situação de vulnerabilidade. No curto prazo, a medida tende a aumentar litígios, pois cada negativa será contestada. No longo prazo, pode reduzir disputas, mas à custa de excluir quem mais precisa. O Judiciário, nesse cenário, não é apenas árbitro: tornou-se a porta de entrada do sistema, substituindo a regulação e a mediação que deveriam ser exercidas por órgãos técnicos.

    A lógica perversa dos custos

    Entre 2019 e 2023, a judicialização consumiu R$ 17,1 bilhões das operadoras. Em 2024, o setor movimentou R$ 350 bilhões em receitas, com lucro líquido de R$ 11,1 bilhões. Há robustez financeira, mas também uma lógica perversa: enquanto empresas lucram, pacientes enfrentam barreiras crescentes. O discurso de sustentabilidade não pode servir de escudo para negar tratamentos essenciais.

    O discurso de sustentabilidade não pode servir de escudo para negar tratamentos essenciais.

    O que está em jogo

    A judicialização não é apenas um problema jurídico. É um sintoma de um sistema que falhou em criar mecanismos de diálogo e confiança. A cada ação judicial, expõe-se a incapacidade das operadoras de atender às demandas legítimas dos pacientes e a fragilidade da regulação estatal. O resultado é um círculo vicioso: mais negativas, mais processos, mais custos, menos credibilidade.

    Conclusão

    O Brasil precisa decidir se continuará a tratar a saúde suplementar como um campo de batalha judicial ou se terá coragem de reformar suas estruturas. A integração de iniciativas como o e-NatJus, a NIP da ANS e câmaras de mediação estaduais mostra que há caminhos possíveis. Mas sem coordenação institucional e sem colocar o paciente no centro, o futuro será de explosão de litígios e erosão da confiança.

    A saúde não pode depender da capacidade individual de litigar. Persistir nesse modelo é condenar médicos, pacientes e operadoras a um labirinto sem saída. O editorial é claro: ou o Brasil enfrenta a judicialização com reformas estruturais, ou continuará a transformar o direito à saúde em privilégio de quem pode pagar advogados.

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  • Cultura: falta dinheiro, tempo e interesse ao brasileiro, diz pesquisa

    Cultura: falta dinheiro, tempo e interesse ao brasileiro, diz pesquisa

    Cultura: falta dinheiro, tempo e interesse ao brasileiro, diz pesquisa

    Incluindo em uma só balaio a cultura e o entretenimento, a pesquisa concluiu que existem diversos aspectos que tornam o consumo de produtos diversos, vendidos como cultura, aos brasileiros.

    A falta de tempo é o principal obstáculo para o consumo de produtos culturais pelos brasileiros (33%). Em seguida, vem a falta de interesse (29%) e de dinheiro para o consumo (24%).

    Os dados são da Pesquisa Nacional sobre Cultura no Brasil, apresentada nesta sexta-feira (5) no Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR+Ibero-América). O evento é realizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), na região central de Fortaleza, até domingo (7).

    O estudo foi encomendado pelo Ministério da Cultura ao Instituto Nexus, que entrevistou 2.016 pessoas utilizando o mesmo método das pesquisas eleitorais, para que a amostra represente toda a população brasileira.

    A ministra Margareth Menezes destacou que não existiam dados para guiar as políticas públicas do setor, e que o levantamento vai orientar os investimentos a partir de agora.

    “Hoje existe uma disputa de espaço de mercado de trabalho, não só no Brasil, mas no mundo. E o Brasil tem muito a dar, se nós não nos adonarmos disso, produzirmos o que é nosso, da nossa terra, do nosso país, ficamos apenas como consumidores. A cultura é essa ponte para fortalecer essa soberania, você consegue expressar essa diversidade que é o povo brasileiro”, disse.

    “O setor cultural e artístico brasileiro merece esse respeito e precisa desse espaço e desse reconhecimento, para trazer a riqueza e fazer rodar a economia criativa em cada cidade, em cada estado. A cultura quem faz é o povo, o que a gente precisa fazer é ver o que precisa melhorar pra que o acontecimento cultural seja conduzido melhor”, completou a ministra.

    Resultados

    O diretor de Pesquisa do Instituto Nexus, André Jácomo, apresentou os dados. De acordo com ele, a população enxerga cultura como parte da formação histórica do país.

    “Nas respostas notamos uma predominância de um sentido amplo para o termo cultura, como um conjunto de valores, crenças, hábitos e comportamentos. Bem como as tradições e costumes que formam a nossa identidade. Ninguém vive sem cultura, todo mundo tem um gosto pessoal, e a cultura é relacionada a nossa formação como povo.”

    André Jácomo explicou que foram colhidos dados quantitativos e qualitativos, e os resultados foram surpreendentes. A pesquisa aponta que a música é o produto cultural mais consumido, com 53%, seguido de filmes (52%) e séries (40%), ficando à frente das novelas, que são consumidas por 32% da população brasileira.

    • LEIA: Entretenimento não é cultura

    Quanto à visita a equipamentos culturais nos 30 dias anteriores, 24% foram a shows ou festivais de música, 23% a cinemas, 15% a feiras ou festas literárias, 8% a bibliotecas e 7% a teatros. Por outro lado, 47% não souberam ou não responderam a essa pergunta, indicando que quase a metade da população não visitou nenhum equipamento cultural no período.

    Os dados contrastam com o desejo de visitar um equipamento cultural. Do total, 33% disseram que gostariam de ir ao cinema, 27% a show ou festival de música e 18% ao teatro. Quanto à participação em festas populares, o São João aparece em primeiro lugar, com 31%, superando os 28% do carnaval.

    Quanto ao meio em que os produtos culturais são consumidos, o celular ganha disparado, sendo acessado por 62% da população. A televisão aparece com 53%, e o rádio vem em terceiro, com 9%. A pesquisa levantou que o Netflix é a plataforma de streaming mais acessada no Brasil, com 58%, seguido de YouTube Premium (23%) e Globoplay (21%).

    A pesquisa levantou também que 34% das pessoas consideram que a cultura brasileira é valorizada no mundo. Na avaliação de 71%, o impacto da cultura é positivo para a imagem internacional do Brasil. Um total de 84% considera importante o apoio a artistas e a produtores locais e 53% avaliam que a cultura tem importância na atual agenda do governo federal.

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  • Flávio Bolsonaro admite que pode abandonar candidatura

    Flávio Bolsonaro admite que pode abandonar candidatura

    Flávio Bolsonaro admite que pode abandonar candidatura

    Flávio Bolsonaro foi indicado por Jair Bolsonaro para ser o candidato da família e do PL à presidência da república. Uma espécie de legado político do pai, que está preso e inelegível.

    Embora confirmado também pelo PL, Flávio agora tem que ter o aceite de 100% do eleitorado do pai e também enfrentar problemas com adversários que podem vir dentro da própria direita, além é claro, de resistências dentro da família. 

    Para ter uma ideia do tamanho do abismo da candidatura é o recente resultado de Pesquisa Datafolha divulgada no último sábado, apontou que só 8% dos eleitores consideram Flávio Bolsonaro o nome que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria apoiar na disputa presidencial de 2026.

    Uma das formas de se aproximar de Bolsonado e do ideal bolsonarista, é adotar um discurso que o mostra como legítimo representante do pai e não um simples substituto. Para isto o senador adotou um discurso que coloca um preço impossível de ser pago, para sua desistência, pois exigiria que todo o sistema judiciário fosse submisso a uma candidatura.

    O assunto da desistência possível ou o fato do projeto de sua candidatura não vingar, só existe porque ainda há dúvidas sobre sua viabilidade. Parte desta dúvida está dentro da direita, que já estava construindo outros nomes para a candidatura.

    Flávio Bolsonaro coloca um preço para sua desistência à candidatura a presidência do Brasil.

    São nomes como Michelle Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União), Romeu Zema (Novo) e Ratinho Jr. (PSD). Estes nomes já estão trabalhando no último ano, para se tornarem candidatos viáveis. São projetos políticos que começaram a ser construídos desde que 
    Bolsonaro começou a ser julgado.

    Por isso o senador Flávio Bolsonaro passa a construir uma imagem ligada ao pai e a causa do próprio pai, consolidando assim uma imagem de legítimo representante de Jair Bolsonaro, o que em tese direcionaria qualquer crítica a ele, como crítica ao próprio Bolsonaro. Mas ele também sabe que pode não ser viável sua candidatura.

    — Olha, tem uma possibilidade de eu não ir até o fim. Eu tenho um preço para isso. Eu vou negociar. Eu tenho um preço para não ir até o fim — disse Flávio, neste domingo após participar de um culto em Brasília.

    “Meu preço é justiça. E não é só justiça comigo, é justiça com quase 60 milhões de brasileiros que foram sequestrados, estão dentro de um cativeiro, nesse momento, junto com o presidente Jair Messias . afirmou em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record neste domingo, 7. 

    Um preço impossível de ser pago, como troca política por uma candidatura, é a anistia a todos os envolvidos no ato de 8 de janeiro, o que incluiria Jair Bolsonaro. Qualquer outro preço é apenas a confirmação de que a família Bolsonaro não é mais a prioridade na direita.

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  • Pesquisas eleitorais: manchetes que informam ou manipulam?

    Pesquisas eleitorais: manchetes que informam ou manipulam?

    Pesquisas eleitorais: manchetes que informam ou manipulam?

    Manchetes que influenciam

    Pesquisas eleitorais são apresentadas como instrumentos de transparência democrática, mas a forma como chegam às manchetes pode distorcer completamente sua leitura. Diferenças dentro da margem de erro viram “vitórias” ou “derrotas”. Intenção de voto é confundida com aprovação ou popularidade. O eleitor, ao consumir esse conteúdo, passa a acreditar que está diante de uma previsão definitiva, quando na verdade trata-se apenas de uma fotografia momentânea.

    Narrativas construídas

    Mais do que informar, manchetes constroem narrativas. Ao repetir que “candidato A lidera”, cria-se a sensação de inevitabilidade. Isso gera o chamado voto útil, em que eleitores abandonam opções menores para apoiar quem aparece como favorito. Também alimenta a polarização, reduzindo o espaço para alternativas e concentrando o debate em poucos nomes.

    Essas narrativas não surgem por acaso. São fruto de escolhas editoriais conscientes: destacar determinados números, omitir margens de erro, confundir indicadores. É uma forma de participar da disputa política sem assumir explicitamente esse papel.

    Recortes e momentos estratégicos

    Pesquisas não são neutras. O recorte da amostra — região, faixa etária, perfil socioeconômico — pode favorecer candidatos já fortes em determinados segmentos. O momento da divulgação também é estratégico: publicar resultados antes de debates ou eventos importantes pode alterar o clima político, mobilizar ou desmobilizar bases eleitorais e influenciar alianças partidárias.

    No cenário atual, pesquisas eleitorais começam a ser feitas não apenas para medir, mas para construir narrativas eleitorais. Tornam-se parte da própria disputa, usadas como ferramenta de convencimento e propaganda.

    Mais do que número, manchetes e narrativas –  A verdade sobre as pesquisas eleitorais.

    A responsabilidade da mídia

    A mídia e as redes sociais sabem exatamente o efeito de suas manchetes. Profissionais entendem que cada escolha editorial carrega impacto político. Ao divulgar pesquisas de forma tendenciosa, ignorando margens de erro ou confundindo indicadores, exercem uma parcialidade consciente.

    Essa responsabilidade é enorme. Em vez de informar, podem manipular. Cabe ao eleitor desenvolver leitura crítica, mas cabe também aos veículos de comunicação reconhecer que não são meros transmissores de dados: são agentes ativos na construção da narrativa eleitoral.

    A crítica burra

    Embora ter uma posicionamento crítico sobre pesquisas eleitorais seja um diferencial inteligente entre eleitores, muitas vezes esta crítica assume um lado pouco inteligente. Isso ocorre quando a crítica sobre a validade da pesquisa só é levantada quando o candidato preferido do eleitor não está bem na pesquisa. Dai a crítica sobre a pesquisa, buscando desacreditar o trabalho. Mas se o candidato daquele eleitor não está bem na divulgação da pesquisa, então toda a crítica sobre a credibilidade da pesquisa passa a ser feita.

    Em síntese: pesquisas eleitorais são fotografias, mas manchetes podem transformá-las em propaganda. O eleitor precisa estar atento, e a mídia precisa ser cobrada por sua responsabilidade na forma como molda o debate público.

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