Execuções em alto-mar e ameaças veladas — A prática da morte como política externa
As recentes ações militares dos Estados Unidos na costa da Venezuela revelam uma escalada preocupante na forma como o poder bélico é utilizado como instrumento de política externa. Em operações supostamente voltadas ao combate ao narcotráfico, pelo menos 21 pessoas foram mortas em embarcações venezuelanas, sem qualquer tentativa de prisão, sem apresentação de provas, e sem julgamento. A justificativa oficial é a de que se tratavam de traficantes — mas quem decide isso? E com base em quê?
A ausência de transparência e de devido processo levanta uma questão fundamental: estamos diante de execuções sumárias legitimadas por uma narrativa de segurança?
Mais grave ainda é o tom adotado por figuras políticas americanas. O congressista Mario Diaz-Balart, membro do subcomitê de Defesa, afirmou em entrevista ao jornal Republica USA que Nicolás Maduro tem três opções diante do cerco militar dos EUA no Caribe. Uma delas seria deixar o país. A segunda, ser capturado por militares americanos, como ocorreu com Manuel Noriega. E a terceira, segundo suas palavras:
“A terceira alternativa [para Maduro] acredito ser a de Soleimani. Soleimani era um membro do governo iraniano e das Forças Armadas, e também um terrorista, e estava desfilando impunemente pelo mundo. Até que o presidente Trump chegou à Casa Branca e disse: ‘Chega, chega’. E eles tiveram de encontrar Soleimani em pedaços, certo?”
Alvos declarados dos EUA.
Quando a morte vira praxe
A referência explícita ao assassinato de Qassem Soleimani — morto por um ataque de drone dos EUA em 2020 — não é apenas uma ameaça velada: é uma confissão de método. A história recente mostra que os Estados Unidos não hesitam em recorrer à eliminação física de líderes considerados “inconvenientes”. A doutrina da “eliminação preventiva” parece ter se institucionalizado, ignorando tratados internacionais, soberania de nações e o princípio básico da justiça: o direito à defesa.
O que está em jogo
- A normalização da violência como ferramenta diplomática.
- A desumanização de civis sob suspeita, tratados como alvos sem direito à vida.
- A erosão do direito internacional diante da força bruta.
Esta matéria não é uma defesa de Maduro, nem uma apologia a regimes autoritários. É um chamado à lucidez: quando um país se arroga o direito de matar sem julgamento, ameaça líderes estrangeiros e age como juiz, júri e executor, todos os demais — inclusive seus aliados — deveriam se perguntar: quem será o próximo?
Contato
- Atendimento
- (41) 999-555-006
-
Av. do Batel, 1750 – S215
Curitiba – PR




















