Privatização da CELEPAR avança
A Celepar, Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná, consolidou-se ao longo de décadas como um dos pilares estratégicos do Estado. Responsável por processar e armazenar dados sensíveis de milhões de cidadãos, tornou-se símbolo da soberania digital paranaense. Agora, em meio ao discurso de modernização e eficiência, o governo estadual avança em sua decisão de privatizar a companhia.
Na última semana, o Tribunal de Contas do Paraná (TCE) liberou o processo de venda, suspenso desde setembro de 2025. A interrupção havia sido motivada por preocupações sobre impactos financeiros e, sobretudo, sobre a segurança das informações públicas. Com novos estudos apresentados pelo governo, o tribunal entendeu que, mesmo privatizada, a Celepar atuará apenas como operadora, enquanto o Estado permanecerá como controlador dos dados.
O projeto de privatização foi aprovado em regime de urgência pela Assembleia Legislativa em 2024, em apenas nove dias, o que gerou críticas da oposição e de especialistas em políticas digitais. Outro ponto que gera controvérsia é o sigilo que envolve o processo de venda. Parlamentares e entidades da sociedade civil cobram transparência, argumentando que a Celepar não é apenas uma empresa, mas um patrimônio público que garante a infraestrutura digital do Paraná.
De um lado, o governo sustenta que empresas privadas podem trazer mais inovação, agilidade e reduzir custos. De outro, críticos alertam para os riscos de fragilizar a segurança digital e abrir mão de um ativo estratégico em um mundo cada vez mais dependente da tecnologia.
Esse debate não é exclusivo do Paraná. Em outros países, experiências semelhantes mostram caminhos distintos:
- No Reino Unido, a privatização de serviços digitais ligados ao governo gerou ganhos de eficiência, mas também críticas sobre a perda de controle estatal em áreas sensíveis.
- No Chile, a terceirização de plataformas públicas trouxe modernização, mas levantou dúvidas sobre a proteção de dados e a dependência de fornecedores privados.
- Já o Uruguai seguiu caminho oposto, fortalecendo sua empresa estatal de tecnologia, a AGESIC, como guardiã da soberania digital, tornando-se referência internacional em governança de dados públicos.
O avanço da privatização da Celepar coloca o Paraná diante de uma encruzilhada: apostar na promessa de eficiência do mercado ou preservar a soberania digital como responsabilidade indelegável do Estado.
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