Vereadores divergem entre convite e convocação
“A gente tem que fazer este combate, a cidade não pode ser tomada pela droga”, sustentou Pier Petruzziello. Mas, para ele, “se já existe uma data que o secretário se dispôs a vir”, a convocação poderia ser retirada. “Se ele for convidado e não vier, daí sim, eu seria inclusive o primeiro a votar com o senhor”, assinalou. “Sugiro que o presidente abra, como o líder falou, mais tempo para as perguntas, […] o secretário, tenho certeza, não tem nada para esconder.”
Em resposta a Petruzziello, Da Costa afirmou que o líder do Governo, Serginho do Posto, já havia sugerido o convite, e que ele preferia manter a convocação. “Inclusive essas informações que eu tenho recebido são muito graves, que estão me seguindo nas ruas”, reiterou.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, Fernando Klinger (PL) disse entender a luta do vereador Da Costa na área da segurança pública, mas apelou para o diálogo. Rodrigo Marcial (Novo) parabenizou Da Costa pelo “espírito combativo” e a “coragem”, mas argumentou que o secretário municipal da Defesa Social “também é um vetor no combate [às drogas]” e que a convocação após polêmica nas redes sociais poderia transmitir outra mensagem.
Guilherme Kilter (Novo) também se solidarizou ao vereador Da Costa, mas disse acreditar que a melhor alternativa seja o convite, para que as explicações sejam dadas durante sessão ordinária do Legislativo. “A melhor maneira seria, realmente, o convite, […] mas precisamos realmente apurar”, declarou Jasson Goulart (Republicanos). Sidnei Toaldo (PRD) elogiou o trabalho da SMTD e apoiou o convite ao secretário, mas ponderou o avanço do tráfico de drogas e do crime em todo o país.
Na avaliação de Eder Borges (PL), que pediu para Da Costa repensar seu posicionamento, a convocação “perdeu objeto”. “Se está dito que o secretário vem a esta Casa sem convocação, não há porque convocar, dar palco para o PT”, opinou. “Fiscalização não tem lado político, […] fiscalização se faz de maneira séria, não se faz com birra política, tampouco com ego”, rebateu a líder da Oposição, Camilla Gonda (PSB).
“Se todo mundo está contra o tráfico de drogas, não há porque a Câmara Municipal de Curitiba não convocar o secretário”, complementou Camilla Gonda. Na avaliação da líder da Oposição, o convite, ao invés da convocação, estaria mais ligado a uma questão de “ego”, ligada à imagem do Executivo, e não de políticas públicas. Angelo Vanhoni (PT) mencionou que todas as comissões do Congresso Nacional aprovam requerimentos para convocar ministros e discutir problemas ou apurar denúncias.
“Nós assistimos pelas redes, pelos canais abertos, os ministros dando esclarecimentos. E [são] polêmicas difíceis, muitas vezes deselegantes, […] eu acho que aqui na Câmara Municipal nós temos uma timidez de querer discutir de uma forma mais aberta”, apontou. “Eu acho que há um medo excessivo que não contribui para o fortalecimento da circulação das ideias na cidade.”
“Concordo com o entendimento que a convocação não é, de maneira nenhuma, falta de educação ou desrespeito, muito pelo contrário, é uma demonstração clara que a Câmara Municipal quer ouvi-los”, opinou Laís Leão (PDT), para quem “a votação no Plenário inclusive formaliza à população essa transparência”. “Eu acho muito positivo os secretários virem mais”, acrescentou.