Após 26 anos de negociação, União Europeia aprova acordo com Mercosul
Um acordo histórico e geopolítico
O acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, finalmente aprovado em Bruxelas após mais de duas décadas de impasses, reflete não apenas mudanças nos termos, mas sobretudo na geopolítica mundial. A Europa, cada vez mais dependente de recursos externos, vê no Mercosul uma oportunidade estratégica diante da escassez de matérias-primas e da necessidade de diversificar parceiros. Do lado sul-americano, o crescimento econômico e a busca por maior protagonismo internacional tornaram o bloco mais assertivo.
Mas há um elemento externo que, paradoxalmente, acelerou o desfecho: Donald Trump. Sua política errática, marcada pela desconfiança em alianças históricas e pela tentativa de enfraquecer o Mercosul, acabou funcionando como catalisador. Ao impor medo nos mercados e abalar a credibilidade do dólar, Trump empurrou europeus e sul-americanos para a urgência de firmar novas bases de cooperação. Não se trata de mérito, mas de consequência: o acordo nasce mais da necessidade de blindar-se contra turbulências externas do que de qualquer contribuição construtiva do presidente norte-americano.
O verdadeiro crédito pertence a presidentes, diplomatas, técnicos e economistas que, ao longo de 26 anos, mantiveram viva a negociação. O resultado é um pacto que promete reduzir em até 90% as tarifas alfandegárias entre os blocos, abrindo um mercado de 720 milhões de consumidores e representando um quarto do PIB mundial.
Benefícios para o Brasil
O Brasil desponta como o maior beneficiário imediato do acordo. Com sua força agrícola e industrial, o país terá acesso privilegiado a um mercado europeu ávido por café, suco de laranja, milho, celulose, minério de ferro, etanol e biodiesel. A indústria nacional também ganha fôlego, já que tarifas serão reduzidas em larga escala, abrindo espaço para exportações mais competitivas e diversificadas.
Além disso, o Brasil fortalece sua posição como líder regional dentro do Mercosul. A capacidade de negociar em pé de igualdade com a União Europeia reforça sua imagem internacional e amplia o peso político do país em futuras tratativas comerciais.
O papel dos demais países do Mercosul
O Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, apresenta-se unido neste momento histórico. Cada país traz sua contribuição: a Argentina com a produção de grãos e carnes, o Paraguai com energia e agricultura, e o Uruguai com proteína animal e lácteos. Mas é o Brasil que concentra o maior volume de exportações e que, ao mesmo tempo, se torna vitrine do bloco diante da União Europeia.
Resistências europeias
Ainda assim, resistências persistem. A França, em especial, levanta preocupações sobre impactos ambientais e concorrência com seus agricultores. O debate interno europeu mostra que, mesmo após 26 anos de negociação, o caminho até a plena implementação do acordo exigirá habilidade diplomática e capacidade de responder às críticas. Outros países, como Irlanda e Áustria, também demonstram cautela, mas o peso econômico e político da União Europeia tende a favorecer a ratificação.
O que não se pode negar é que o pacto fortalece o Mercosul e dá ao Brasil uma posição estratégica no comércio global. Em tempos de incerteza, o mundo é melhor com acordos multilaterais do que com a submissão econômica e militar a um país governado por um “reizinho laranja”.
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