Correios: a demissão em massa não resolve a falta de competitividade
Os Correios anunciaram a ampliação de seu Programa de Demissão Voluntária (PDV), que pode desligar até 15 mil funcionários entre 2026 e 2027. A medida, apresentada como parte do projeto “Correios em Reestruturação”, promete gerar uma economia de R$ 1,4 bilhão e aliviar a folha de pagamentos da estatal.
Mas é preciso ir além da superfície: a demissão em massa não ataca o verdadeiro problema da empresa — sua falta de competitividade.
O discurso da economia
A direção da estatal aposta que cortar pessoal e revisar mil unidades deficitárias trará eficiência. É um raciocínio clássico de ajuste fiscal: reduzir custos para equilibrar contas. No curto prazo, pode até funcionar. Mas no médio e longo prazo, a pergunta que fica é: como competir com gigantes privados da logística e do e-commerce apenas enxugando a máquina?
O problema estrutural
Os Correios perderam espaço porque não acompanharam a transformação digital e logística do setor. Enquanto concorrentes privados oferecem rastreamento em tempo real, integração com plataformas de e-commerce e prazos cada vez mais curtos, a estatal ainda luta para manter serviços básicos funcionando.
O resultado é previsível: queda de receita, aumento da pressão política e agora, a demissão em massa.
Impactos sociais e políticos
- Trabalhadores: 15 mil desligamentos representam não apenas economia, mas também desemprego em massa, especialmente em cidades onde os Correios são grandes empregadores.
- Consumidores: menos agências e menos pessoal significam atendimento mais precário, sobretudo em regiões remotas.
- Política: a crise dos Correios se torna um problema nacional, exigindo do governo uma definição clara: manter a estatal como empresa pública com função social ou transformá-la em uma corporação competitiva.
Sua cidade, ou bairro, podem ficar sem uma agência, se ela estiver dando pouco lucro.
A ilusão do corte
O PDV é uma solução paliativa. Cortar funcionários não resolve a incapacidade da empresa de competir em um mercado cada vez mais tecnológico. É como tentar salvar um navio que afunda jogando fora parte da tripulação, mas sem consertar os buracos no casco.
Sem investimento em digitalização, automação e parcerias estratégicas, os Correios continuarão perdendo espaço. A demissão em massa pode até aliviar o caixa, mas não devolve relevância.
Os Correios não estão apenas diante de uma crise financeira, mas de uma crise de identidade. A estatal precisa decidir se será um ator competitivo no mercado de logística ou se continuará sendo apenas um peso para o Tesouro.
O PDV é manchete, mas não é solução. O verdadeiro desafio é recolocar os Correios no século XXI — e isso não se faz apenas com cortes, mas com visão estratégica.
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