Eleições na Venezuela e o Brasil
Todo processo eleitoral em países que podem impactar relações internacionais, seja de comércio, soberania e diplomacia, interessa ao Brasil.
Assim é normal, que o Brasil, como todo o mundo, fique atento ao resultado das eleições nos EUA, por exemplo, já que este país é importante em todo o cenário mundial.
No caso da Venezuela, existem dois fatores importantes. O primeiro é que em um passado muito próximo a relação ideológica do atual presidente brasileiro, Lula e do atual presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foram intensas. É verdade no entanto que a diplomacia brasileira tem se distanciado, no último ano, do governo venezuelano e o presidente Lula também tem tomado atitudes de afastamento desde o início dos problemas envolvendo a Venezuela e a Guiana.
Mesmo assim, a Venezuela é um país da América Latina que compõe o círculo de interesse e fortalecimento do Mercosul, e deverá ter grande influência na economia mundial através do domínio de reservas de petróleo. Perder laços diplomáticos e abrir espaço para outros países conquistarem maior interesse venezuelano, não é bom para o Brasil. Por outro lado a democracia brasileira não pode apoiar eleições fraudulentas ou imposição armada para manter o poder de um presidente (e até o momento isso parece uma hipótese provável).
Dona da maior reserva comprovada de petróleo do planeta, a Venezuela vai às urnas no próximo domingo, quando cerca de 21 milhões de pessoas devem eleger o próximo presidente, que vai governar o país sul-americano entre 2025 e 2031. O presidente Nicolas Maduro, no poder desde 2013, enfrenta nas urnas nove concorrentes.
Esta é a primeira eleição, desde 2015, em que toda a oposição topou participar do pleito. Desde 2017, os principais partidos de oposição vêm boicotando as eleições nacionais.
A Venezuela enfrenta um bloqueio financeiro e comercial pelo menos desde 2017, quando potências como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e União Europeia passaram a não reconhecer a legitimidade do governo Maduro.
Nicolás Maduro, atual presidente da Venezuela.
O país vizinho também passou por uma grave crise econômica no período, com hiperinflação e perda de cerca de 75% do PIB, o que resultou em uma migração de mais de 7 milhões de pessoas. O Brasil recebeu um grande número destas pessoas.
Desde meados de 2021, o país vem mostrando alguma recuperação econômica. A hiperinflação foi derrotada e a economia voltou a crescer em 2022 e 2023, porém os salários continuam baixos e os serviços públicos deteriorados.
Desde 2022, o embargo econômico vem sendo parcialmente flexibilizado e um acordo entre oposição e governo foi firmado para as eleições deste ano. Porém, denúncias de prisões de opositores nos últimos dias e recursas em assinar acordo para respeitar o resultado eleitoral por alguns candidatos da oposição, entre eles, o favorito Edmundo González, jogam dúvidas sobre o dia após a votação.
No próximo domingo, sob ameaça de uma guerra civil e banho de sangue (palavras do atual presidente), em caso de derrota de Maduro, o mundo conhecerá os resultados da eleição na Venezuela, e o posicionamento do Brasil diante do reconhecimento do resultado, ou não, é indispensável e aguardado por todos.
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