Oportunismo legislativo e a lógica da repercussão
A Assembleia Legislativa do Paraná tem pautado recentemente projetos voltados à proteção de animais comunitários e à conscientização sobre cuidados com animais idosos. São iniciativas que respondem a uma demanda legítima da sociedade: o respeito e a proteção aos seres vivos que compartilham nossos espaços. A morte trágica de cães comunitários, como o caso do Orelha em Balneário Camboriú, trouxe à tona uma indignação coletiva que não pode ser ignorada. É natural que o Parlamento busque dar respostas a esse sentimento.
O ponto de reflexão, contudo, não está na pertinência dos projetos, mas na forma como a agenda legislativa se organiza. A comoção pública, amplificada pela mídia, tem o poder de acelerar propostas e colocá-las no centro do debate. Isso não é, em si, negativo. Mas quando a lógica da repercussão se sobrepõe à lógica da prioridade, corre-se o risco de deixar em segundo plano questões estruturais que impactam diretamente a vida da população paranaense: saúde, educação, infraestrutura, geração de empregos e desenvolvimento econômico.
O oportunismo legislativo, nesse contexto, não significa ausência total de ação. Em alguns casos, como o pedágio eletrônico, houve avanço concreto: a ANTT autorizou a implantação do sistema sem cancelas e até mesmo deslocou uma praça para reduzir impactos locais. Mas outros exemplos mostram que a lógica da visibilidade prevalece sobre a efetividade.
Assembleia Legislativa do Paraná
O Programa Orienta Paraná, criado para apoiar jovens na escolha profissional, foi aprovado com destaque, mas pouco se viu de sua execução prática. Sessões itinerantes da ALEP em cidades do interior renderam homenagens e discursos, mas não se converteram em políticas públicas. Projetos votados em regime de urgência, em dezembro de 2025, tiveram tramitação acelerada, mas muitos não geraram impacto perceptível.
O padrão é claro: temas de alto apelo emocional ou midiático entram rapidamente na pauta, enquanto debates complexos e estratégicos permanecem à margem. A defesa dos animais é um valor civilizatório e merece espaço. O que se questiona não é a legitimidade dessas propostas, mas o critério de seleção das pautas. O Parlamento se mostra sensível, mas nem sempre estratégico.
O desafio, portanto, é encontrar equilíbrio. A Assembleia pode — e deve — legislar em favor dos animais, mas não pode perder de vista que sua missão maior é enfrentar os problemas estruturais do Estado. A sociedade espera dos seus representantes não apenas respostas emocionais, mas também soluções duradouras para os desafios que moldarão o futuro do Paraná.
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