“Conselho de Paz” e a personalização do poder
A iniciativa de Donald Trump de criar um chamado “Conselho de Paz” mundial expõe uma contradição fundamental: em vez de representar um esforço coletivo pela paz, o projeto revela-se como uma tentativa de institucionalizar um poder pessoal acima das regras multilaterais.
Poder condicionado ao dinheiro
A participação nesse Conselho depende de um aporte financeiro bilionário, o que transforma a adesão em um privilégio reservado a países ricos. Além disso, os que contribuírem mais podem estender seus mandatos e obter exceções de obrigações. Essa lógica cria um sistema em que o peso político é diretamente proporcional ao poder econômico, excluindo grande parte do mundo em desenvolvimento e reforçando desigualdades estruturais.
Centralização na liderança de Trump
O desenho institucional concentra poderes extraordinários na presidência inaugural de Trump. Ele teria a prerrogativa de convidar ou excluir países, interpretar estatutos e modificar regras conforme sua conveniência. Em vez de um espaço de cooperação entre Estados soberanos, o Conselho se configura como uma estrutura dependente da vontade de um único líder.
Contradição entre nome e prática
Chamar de “Conselho de Paz” uma instituição que privilegia interesses econômicos e concentra poder pessoal é uma contradição evidente. A paz, nesse modelo, deixa de ser um objetivo universal e passa a ser condicionada à capacidade financeira e ao alinhamento político com a liderança central.
Ele quer ser o rei do mundo!
ONU versus Conselho de Paz
A comparação entre a fundação da ONU em 1945 e a proposta atual de Trump evidencia o contraste entre dois momentos históricos e duas concepções de poder internacional.
ONU (1945):
- Nasceu após a Segunda Guerra Mundial, em meio à necessidade de reconstrução e de evitar novos conflitos globais.
- Baseou-se na Carta das Nações Unidas, que consagra princípios como a igualdade soberana dos Estados, a cooperação internacional e a busca pela paz coletiva.
- A adesão foi universal, sem barreiras financeiras, permitindo que países grandes e pequenos tivessem voz.
- Estrutura descentralizada, com Assembleia Geral e Conselho de Segurança, equilibrando poder entre diferentes blocos.
Conselho de Paz (Trump):
- Surge em um contexto de desconfiança em relação ao multilateralismo e de tentativa de substituir instituições tradicionais.
- Fundamenta-se em critérios econômicos: só países capazes de pagar podem participar.
- Concentra poder em uma liderança única, com prerrogativas que ultrapassam qualquer modelo multilateral.
- Em vez de universalidade, promove exclusividade, transformando a paz em uma mercadoria de alto custo.
O “Conselho de Paz” não é apenas uma alternativa à ONU: é um projeto que revela a tentativa de Donald Trump de usar sua posição de governante para institucionalizar um poder pessoal acima das regras multilaterais. Ao transformar a paz em um privilégio financeiro, a iniciativa contradiz os princípios básicos da diplomacia internacional e ameaça o equilíbrio construído desde 1945.
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