Mais da metade da frota do Paraná não pagará IPVA em 2026 — mas o que isso significa de verdade?
O Governo do Paraná anunciou que mais da metade da frota de veículos registrada no estado estará isenta do pagamento do IPVA em 2026. O número impressiona: cerca de 4,2 milhões de veículos não terão cobrança. À primeira vista, a notícia parece positiva, mas é importante compreender o que está por trás desses dados.
Uma parte significativa dessa isenção vem das motocicletas de baixa cilindrada, até 170 cc. São quase 900 mil unidades que entram na conta da frota estadual. Embora sejam veículos registrados e, portanto, oficialmente parte da frota, na prática seu uso é predominantemente urbano, em deslocamentos curtos e entregas. Elas não têm o mesmo peso de circulação em rodovias que carros e caminhões, mas ajudam a inflar o número de veículos isentos.
Ainda mais relevante é o fato de que a maior parcela dos veículos que não pagarão IPVA são os antigos, com mais de 20 anos de fabricação. São mais de 3,2 milhões de registros nessa condição. Isso não significa que o Paraná tenha milhões de colecionadores de carros clássicos. Na verdade, revela que a frota está envelhecida. Muitos cidadãos mantêm carros velhos porque não têm condições de trocar por modelos novos. Esses veículos continuam circulando, mas deixam de pagar imposto justamente por serem antigos. O resultado é uma frota menos segura, mais poluente e que escapa da tributação.
Motos de baixa cilindrada continuam isentas de IPVA.
O impacto social da medida é claro: há alívio para quem depende de motos pequenas ou carros antigos, geralmente pessoas de menor renda. Do ponto de vista econômico, o estado arrecada menos, mas aposta que veículos novos, que ainda pagam imposto mesmo com alíquota reduzida, compensarão parte da perda. Há também um discurso ambiental, com incentivo a veículos movidos a gás natural e biometano, mas esse esforço convive com a realidade de uma frota envelhecida que permanece em circulação.
Assim, quando o governo afirma que mais da metade da frota não pagará IPVA, o dado pode ser lido de duas formas. Oficialmente, como um benefício ao contribuinte. Mas, numa leitura crítica, como um retrato de que o Paraná convive com milhões de veículos antigos e motos pequenas, que compõem uma frota envelhecida e urbana, e que não pagam imposto mais por circunstância do tempo de uso do que por uma política de incentivo.
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